Autor

Roberta Vicente

Ainda me lembro como se fosse hoje o momento em que eu permiti que os meus olhos fossem abertos para aquilo que eu sabia que estava dentro de mim, mas preferia ignorar. Lembro de estar ajoelhada no escritório perguntando ao Senhor o que estava acontecendo e como eu cheguei onde havia chegado. Lembro de cada sentimento e pensamento que me invadiram. Lembro de cada visão e cena que passaram sob os meus olhos fechados e molhados. Eu os apertava, os olhos. Soluçava. Palavras não expressam a dor da vergonha que eu senti. Palavras não encontram um caminho de explicar o sentimento de perceber, enfim, a raiz dos seus problemas.

As pessoas nunca disseram.

As pessoas sempre falaram sobre vulnerabilidade para com os outros, para consigo, e para com Deus mas elas nunca mencionaram o peso que você precisa levantar quando entra em contato com os sentimentos mais intensos e obscuros que habitam dentro de você mesmo. As pessoas nunca mencionaram que você poderia encontrar coisas horríveis dentro do seu próprio coração, coisas que você não sabe se seria capaz de enfrentar. As pessoas nunca disseram que além de libertadora, a vulnerabilidade é dolorosa e perigosa se você ousar lidar com ela sozinho e essa quase foi a minha ruína.

Sei que pode parecer que estou a falar que a vulnerabilidade não é boa e, provavelmente, no fundo do meu coração é isso o que eu queira realmente lhe dizer. Mas eu não posso fazer isso.

Isso significa que se você tem algum problema com Deus, você precisa resolvê-lo com Deus, não falando aos outros que você tem um problema com Deus. Isso significa que se você tem um problema com você mesmo, sim, você precisa de toda a coragem necessária para encará-lo sem filtros e resolver esse problema com você mesmo. Não, infelizmente não dá pra seguir em frente sem resolver – porque se você não resolver, vai continuar preso no mesmo lugar até resolver o que precisa resolver. Isso, de longe, soa poético ou simples. Ou honroso. Ou belo. E quando você está completamente entorpecido da vergonha e da vontade de desistir é que percebe que esse não é o fim e que, na verdade, você está plantando algo completamente novo no jardim do seu próprio coração.

There’s no shadow You won’t light up.

Tudo o que posso é ser real e honesta com você para lhe dizer que se eu não tivesse decidido permitir que a luz do Espírito iluminasse os olhos do meu entendimento para os lugares obscuros do meu coração, eu não seria quem sou hoje e, honestamente, eu sou alguém muito melhor do que já fui um dia graças à Graça. Tudo o que eu posso lhe dizer é que eu sei como é difícil reconhecer alguns aspectos horrorosos a respeito de si mesmo e que entendo que você, talvez, não queira olhar para essas coisas dentro de você. Eu o entendo quando você insiste em dizer que o tempo pode curar coisas que você não tem certeza se o tempo é, de fato, capaz de curar. Eu o entendo quando diz que parece impossível demais lutar contra algo que já faz parte de você. Eu o entendo quando prefere seguir sem tocar no assunto. E muito mais que eu, um ser humano que continua a aprender com os próprios processos é capaz de lhe entender acredite, o Pastor das nossas almas entende.

Ele é o Único capaz de guiar os nossos sentimentos a um lugar seguro nos momentos de crise, ainda mais se esse momento de crise vier do lugar de vulnerabilidade. Ele é o Único capaz de dizer Verdades sobre nós. O Único capaz de trazer ordem ao caos, restabelecer prioridades com sabedoria e lançar fora as mentiras. Cada uma delas.

Ele não nos vê como nós nos vemos e esse é o motivo pelo qual eu enfrento a dor da vulnerabilidade todos os dias (porque essas não são lutas que você enfrenta apenas de vez em quando). Há um Deus de amor, digno de louvor e adoração. Digno do meu amor. Capaz de curar toda ferida e pastorear a minha alma ao Seu coração.


Na minha angústia, invoquei o Senhor ; gritei por socorro ao meu Deus. Do seu templo ele ouviu a minha voz, e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.


Salmos 18:6

19 de fevereiro de 2019 0 comentário
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Aqui vos escrevo do lugar de humildade e vulnerabilidade sobre uma das prisões que me mantiveram encarcerada durante bons anos. Para os ansiosos e indecisos, essa prisão pode colocar grades em volta do pensamento num piscar de olhos. O interessante é que nem eu mesma percebia que me encontrava no estado “sem saída” até que, algum dia, ouvi o que estou para lhes dizer de um outro Alguém e, por esse motivo, me encontro aqui escrevendo cada uma dessas palavras na esperança que que elas encontrem um coração aflito e sedento de libertação – que provavelmente nem imagina que precise desse remédio do céu.

A tortura das mil possibilidades.

Pessoalmente, sempre fui o tipo de pessoa que gosta de projetar mil possibilidades para qualquer coisa na vida. Houve um tempo em que eu me orgulhava dessa característica por demonstrar prudência e responsabilidade. Eu gostava de pensar que era uma mulher prevenida e isso sempre me trouxe grande segurança – e, por falar em segurança, eu sempre amei esse lugar. Me doía não saber o que poderia acontecer sobre qualquer ação e o sofrimento me acometia sempre que alguma coisa fugia dos meus planos (ou das mil possibilidades que havia figurado na cabeça). Prazer, Roberta Geller (ando viciada em referências a Friends, me desculpem).

O ponto é: esse tipo de coisa me fazia demorar a tomar uma decisão e, quando eu *finalmente* tomava uma decisão ficava presa na indecisão do “e se eu tivesse tomado outro caminho”. Tal pensamento me privava de continuar em paz e avante nas minhas escolhas e isso me deixou, durante bons anos, encarcerada dentro de mim. Eu sofri durante muito tempo sozinha sem perceber que ao invés de simplesmente seguir em frente nas minhas (mesmo que ponderadas) convicções e viver uma vida livre de auto-cobrança, eu preferi me martirizar no limbo do que poderia ter acontecido se eu não tivesse tomado os caminhos que escolhi tomar.

É claro que eu sempre contei com o auxílio do Senhor para tomar direcionamento sobre qualquer coisa (ainda mais à luz das Escrituras) mas, de alguma forma, a minha fé de que Ele estaria sempre a me cuidar e guiar ao centro da Sua boa, perfeita e agradável vontade parecia entrar no modo “mudo” e esse desespero simplesmente tomava conta de mim sem que eu percebesse. 

A ideia de que ao tomar um caminho eu estaria anulando todos os outros (que também me pareciam atraentes) parecia desesperadora já que “a chance de dar errado” era, a partir disso, um caminho sem volta. Me acomete que esse deveria ser o cálculo que muitos cristãos deveriam tomar ao escolher a Cristo, verdadeiramente:


Quem começa a construir uma torre sem antes calcular o custo e ver se possui dinheiro suficiente para terminá-la? Pois, se completar apenas os alicerces e ficar sem dinheiro, todos rirão dele, dizendo: ‘Esse aí começou a construir, mas não conseguiu terminar!’.

Lucas 14:28

É sempre importante lembrar que escolher a Cristo é a decisão mais importante da vida humana e que ela é um caminho sem volta. Quando se trata da eternidade não existem meias escolhas e, ao tomar o Caminho não há como sequer cogitar uma rota de retorno. Esse não é o tema do texto mas achei importante citar se, por acaso, você esteja a cogitar essa opção em meio às outras mil sobre o futuro.

Não é porque uma decisão não deu certo que ela foi a decisão errada.

Foi necessário que o Senhor desmistificasse isso em mim. A minha falta de fé no direcionamento do Espírito e a minha falta de fé em mim mesma me roubaram bons anos de paz e é por esse motivo que eu estou aqui escrevendo cada uma dessas coisas. 

Por pensar demais acabamos amarrados por nossos “e se?” e deixamos de nos entregar plenamente ao presente, que se chama presente por um bom motivo. Por pensar demais acabamos encurralados em nós mesmos e nas nossas próprias indecisões deixando de viver a plenitude que o Cristo já tem preparado para cada um de nós. E no meio desses “nós” nos perdemos dos destinos brilhantes que a fé no “melhor de Deus” pode nos entregar como um presente.

Isso não significa que as escolhas de paz nos levarão a caminhos livres de sofrimento e luta (e é claro que estou falando de caminhos que tomamos no Senhor, e não desinteressados do conhecimento da Sua vontade). “Se eu tivesse tomado a outra estrada não estaria sofrendo aqui hoje!” Mentira! As Escrituras nos alertam que passaríamos por aflições, mas elas nos encorajam a ter bom ânimo! Isso significa que não importa o caminho que você tomar, ele jamais será melhor ou pior o que o que você está vivendo hoje, porque todos os caminhos são tortuosos. O que define o sucesso é o modo com que você decide passar pelas situações que as suas convicções lhe trouxeram, não a quantidade de desafios.

Ouse crer.

É por isso que eu estou te convidando a crer na soberania de Deus. O Senhor Jesus nos disse que estaria sempre conosco, porque pensamos que, de repente, Ele mudou de ideia? Creio que o Pai deseja que sejamos filhos ousados e corajosos em enfrentar os nossos problemas (que são absurdamente passageiros)  para que a Sua glória seja vista através das nossas vidas. Não há nada mais impressionante na terra do que a Força de Deus resplandecendo através da fraqueza do homem. Não tenha medo de errar. 

Que a vontade do Pai seja feita, e que eu esteja lá para testemunhar isso.

29 de novembro de 2018 0 comentário
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Tem sido incrível acompanhar o conhecimento de Deus se expandindo na nação. Tenho visto de modo crescente o povo de Deus exalando a bondade e o caráter do Senhor e, de verdade, isso alegra o meu coração. Me alegro ao saber que a graça e a beleza do Criador tem invadido os púlpitos do Brasil, mas estou aqui para lembrar da importância de pregar comportamento. De ensinar a lei, de ministrar sobre o modo que o Senhor se movia em meio às pessoas. Estou aqui pra te lembrar, também, que muitos não concordam com o que eu acabei de dizer, mas eu tenho bons argumentos para escrever o que estou prestes a escrever. O único que me deterei nesse momento é o de te dizer que você precisa saber o que fazer. Precisa entender o que é errado e o que é bom aos olhos de Deus e, esse é o objetivo da lei. Essas coisas vem através do ensino e, como uma amiga, quero te aconselhar aqui.

O que fazer quando me sinto um peixe fora d’água?

Tenho recebido inúmeras perguntas sobre amizades dentro da igreja. Sobre sentir-se um “peixe fora d’água” na comunidade local ou “perceber” que a maioria das pessoas não aceita o seu modo de ser. Preciso dizer, também, que eu entendo isso. Já passei por diferentes estágios dessa sensação de inadequação no meio do povo de Deus, e posso dizer sim que “eu entendo”. Outra coisa, que eu também preciso dizer, é que eu também entendo que não dá pra aplicar um modelo de ação (que é mais ou menos o que eu pretendo fazer aqui) pra todos os casos. Cada situação é única. Queria poder abraçar todas, mas eu não consigo. Por isso a comunidade local (pela qual, muitas vezes, você se sente rejeitado) é o melhor organismo pra te ajudar a superar isso. Estou falando sério.

Sei dos diferentes tamanhos de igrejas no Brasil – a minha pode se considerar “pequena” –  mas também sei que em muitos desses casos existem vários líderes separados pra te ajudar a crescer, os quais você deveria responder. Se você não possui isso, meu conselho mais sincero é: caçe um. Procure alguém pra te liderar (E se isso acabou de ferir o seu ego, entenda que é algo que precisa ser tratado pelo Senhor em você. Você precisa de liderança, moço(a). Isso é bíblico.)

Pule na água.

Quando eu encontrei Jesus sabia que precisaria frequentar a igreja. Você também sabe que precisa disso. Logo depois da minha conversão, então, passei a frequentar a igreja das pessoas que haviam pregado o evangelho a mim e não saí de lá até o momento (nem pretendo, amo vocês <3). Eu não conhecia absolutamente ninguém (a não ser as duas pessoas que haviam pregado o evangelho para mim, dois meninos), e fui algumas vezes à igreja conhecendo apenas essas duas pessoas. Frequentava os cultos e sabia que precisava de amigas de fé, mas as meninas sempre foram mais tímidas que os meninos, então elas me cumprimentavam com muito amor mas não passava dali. Do culto. Voltava pra minha casa sem ter relacionamento com elas, mas eu desejava muito!

A minha personalidade introvertida não me faz uma pessoa de grandes contatos à primeira vista. Não sou do tipo que sai cumprimentando a todos e faz amizade ali, do nada. Sou muito boa no “um a um” e, sabia que se quisesse construir amizades sólidas, eu precisaria colocar minha força e energia em conhecer as meninas no “um a um”. Então foi o que eu fiz.

Olhava a mulher do meu pastor cheia de admiração e dizia “eu preciso ser amiga dessa mulher, ela é demais!”, e olhava pra outras meninas que perseguiam o coração de Jesus diligentemente e pensava a mesma coisa. Então um dia eu descobri o telefone da Elisa (a mulher do meu pastor e uma das minhas melhores amigas hoje em dia) e mandei uma mensagem dizendo: Elisa, eu preciso te contar a minha vida e ser sua amiga. Quando você pode? Então foi assim que eu fiz minha primeira amiga. E depois disso fiz quase a mesma coisa com todas elas. E hoje eu tenho muitas! Porque eu fui atrás. Eu queria fazer parte da vida daquelas pessoas que amavam e conheciam Deus.

Você precisa parar de reclamar sobre o quanto se sente “excluído” e fazer alguma coisa.

Parece simples, mas não parou só aí. Eu era a menina geek. Lia vários livros de fantasia e assistia a séries descoladas. Me vestia de um jeito diferentão e me considerava diferentona. Logo, queria que os meus amigos fossem assim também. Mas na minha igreja quase ninguém leu Harry Potter ou gosta de usar “mom jeans” como eu. Quase ninguém preenchia a lista mental que eu tinha de “pessoas legais pra se caminhar”. Muitos deles não escreviam correto no whatsapp e vários outros mandavam imagens de “bom dia” nos grupos (o que era bem “aaargh” pra mim). E sabe o que eu fiz? Joguei a lista fora.

Não me importa se eles escrevem certinho, ou se gostam de usar all star. Se curtem ouvir Josh Garrels ou Diante do Trono. Eu quero viver comunidade, e isso está além do que o que eu vejo com os meus olhos. Está além de parecer cool com amigos “cool”. E, quando eu joguei essa lista fora, eu conheci corações lindos. Gente que ama gente. Quente que sofre. Gente resiliente. Gente madura.

E eu só aprendi. Aprendi sobre Deus, aprendi sobre amor e aprendi sobre humildade. Acho que amizade, no fim das contas, tem a ver com essas coisas.

Jogue fora a sua lista. Pise em cima do seu orgulho e da tentação de “venham a mim vós que quereis a minha amizade e eu serei amiga de vocês”. Mude o curso da história. Tá?

2 de agosto de 2018 0 comentário
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Eu só sei chorar. Meu Deus, eu só sei chorar.  Nos últimos meses não consegui definir em palavras um terço das coisas que senti, mas hoje eu acordei com saudade. As coisas não estão bem, meu amigo, e eu não estou a falar de mim. O mundo inteiro não vai bem: ele chora. Eu não costumo falar disso, porque ainda há muito a se aprender a respeito da volta do Senhor, mas o que eu sei é que as coisas só estarão bem quando Ele estiver aqui (eu sei que Ele já está em nós, mas você sabe do que eu estou falando).

Eu sinto a falta que Ele faz.

Você e eu nascemos para a plena comunhão. O mundo inteiro nasceu para a plena comunhão. O lugar de oração fortalece você no amor ao Senhor, mas nada se compara àquilo que nos espera no futuro. Você já parou pra pensar no quanto o mundo geme sentindo a Sua falta? Sofrimento, dor, lágrima. A plena comunhão ainda não está aqui. Nós possuímos o vislumbre, mas ele é apenas um vislumbre. Toda escatologia que afasta você do amor ardente pela volta do Senhor precisa ser revista. Esse não é um texto sobre escatologia, mas eu quero que você reflita no quanto (e se) você tem desejado que Ele volte.

Que Ele venha.

Que Ele tome o que é Seu. Que estabeleça o Seu reino e as Suas verdades. Que Ele reine na Terra, que ande no meio de nós. Que fale no meio de nós. Que ame no meio de nós. Meus amigos, eu estou em lágrimas. As guerras, toda morte e opressão não dizem sobre quem Ele é. A natureza humana não diz sobre quem Ele é em plenitude. As coisas como estão, não dizem sobre quem Ele é e eu sei que Ele deseja isso (viver no meio de nós) muito mais que eu, você ou qualquer outra criatura.

Eu não estou falando de tribulação, nem de arrebatamento ou de qualquer teologia com suas linhas de pensamento. O meu desejo aqui, é lembrar você da falta que Ele faz e a clamar pelo retorno do Noivo. Ele está ausente, e as coisas só vão pro lugar quando Ele voltar.

E assim elas ficarão pra sempre.

Jejue, ore, sinta a falta que Jesus faz.

“O Espírito e a noiva dizem: “Vem!” E todo aquele que ouvir diga: “Vem!” Quem tiver sede, venha; e quem quiser, beba de graça da água da vida.” Apocalipse 22:17

25 de junho de 2018 0 comentário
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Quando pensei que havia entendido o amor de Deus por mim e aceito, de uma vez por todas, a percepção de que fui feita para o Criador, foi que eu percebi que esse entendimento necessitava de muito mais que apenas informação. E eu falo aqui de revelação. Desde então eu passei a caçar isso com todas as minhas forças. Em minhas orações eu clamava por essa revelação. Eu precisava reconhecer o quão amada eu era pelo Senhor. Até que Ele me mostrou uma parcela. Uma pequena parte. Algo completamente insignificante se comparado à real proporção dos sentimentos escondidos em Seu coração, mas foi o suficiente para balançar completamente as minhas estruturas.

Vou te confessar que é muito difícil organizar uma coisa dessas em palavras. Não sei explicar o gosto de algo com fidelidade, a não ser que você experimente esse algo (e que quando você experimenta, então, com lágrimas nos olhos, olha pra mim e diz “agora eu sei do que você estava falando todo esse tempo”).

26 de março de 2018 0 comentário
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Eu preciso ser sincera, é difícil estabelecer regras do lado de cá. Por exemplo, sei que prometi fazer devocionais toda segunda, mas aqui estou eu pronta pra simplesmente escrever sobre como tenho me sentido um extraterrestre. Espero, sinceramente, que isso de alguma forma toque o seu coração ou gere aquele sentimento que todos amamos de “puxa vida, não estou só”, já que é isso que eu tenho pra oferecer pra você hoje. Esse poderia ser um texto sobre como nós, cristãos, nos sentimos deslocados por não pertencermos a esse mundo e todas essas coisas mas… Me desculpe, não é sobre isso. Muito do que eu escrevo carrega um pedaço da minha alma, e já quero deixar isso claro: não estou pedindo conselhos. Eu realmente espero que isso não soe tão rude quando pareceu enquanto eu escrevi mas, enfim… Não foi rude. Talvez, escrever esse tipo de coisa seja um grito desesperado do meu coração de saber que eu não estou sozinha nisso.

Okay.

Cá nos encontramos, mais uma vez, enquanto você me lê e eu tento me fazer entender. Quero dizer que essa tem sido uma das grandes batalhas que eu tenho enfrentado. Confesso que ando um tanto quanto cansada de perceber os seres humanos todos olhando para mim do mesmo modo que cães inclinam a cabeça quando não entendem alguma coisa enquanto tentam me entender. Enquanto tentam entender o que eu penso, o que eu ouço, o que digo, o que sou. Ando farta de precisar dar explicações. Não por conta das pessoas, não é esse o ponto. O que me deixa maluca é perceber que eu não vejo ninguém precisando explicar o que vive, enquanto eu preciso explicar por que gosto do meu cabelo curto.

29 de janeiro de 2018 50 comentários
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A vontade dos dedos que aqui lhes escreve é dizer: “Cabeçuda, quando é que você vai encarar que a verdadeira mordoma do seu tempo é você mesma? Pare de ser irresponsável.” Há muito ouço sobre esse assunto. Já sei que existe o Chronos (que é o tempo o qual vivemos) e o Kairós (que é o tempo de Deus). Já sei que eles não são a mesma coisa. Já sei que um dia do nosso tempo podem ser mil anos do tempo de Deus – e vice versa. Já ouvi sobre todas essas coisas e a que mais me assusta é perceber que eu – que sou realmente irresponsável – sou quem decide o que fazer com as 24 horas do dia novo que me é entregue todo santo dia a partir da 00:00h.

A medida igualitária aplicada a todos.

Houve uma época em que olhar para o relógio e perceber que cada minuto que ficava no passado não poderia voltar para ser revivido ou consertado me fazia encarar o tempo com medo. Ele é irreversível e a maneira que eu cuido dele apontará para diferentes circunstâncias das quais eu mesma me submeterei mas, ainda assim, o Senhor decidiu que eu era responsável o suficiente para administrar minhas 24h (e Ele, definitivamente, acredita mais em mim do que eu mesma). Por que?

A Criação possui um ritmo. Deus cria céus, terra, animais, o Homem, a pausa. Todos nós quando postos no mundo vivemos, ainda que rejeitemos, no ritmo dessa criação. O Sol nasce, e em seguida se põe. No começo do ano vivemos o verão e, na metade dele, o inverno. São segundos, minutos, dias, meses, anos e eras. Estamos submetidos às estações. Não podemos fugir dos cabelos brancos ou das linhas de expressão que a idade nos acrescenta. Não podemos ignorar que as batidas do nosso coração seguem um ritmo, e assim também acontece com a respiração: inspira, expira. Estamos inseridos no tempo e o tempo em nós mesmos.

“Quando o tempo é dessacralizado, a vida é dessacralizada.”

Eugene Peterson

Releia essa frase.

Eu espero que ela atinja você com o mesmo impacto que me atingiu também, porque entender isso pode fazer você se arrepender de muita coisa – e arrependendo-se dessas coisas pode ser que eu consiga incentivar você a tomar um posicionamento acerca de muitas outras que ainda estão por vir.

O problema da pressa (e do oposto dela).

A pressa rouba de nós o prazer de viver o presente. Gosto de pensar que o presente se chama “presente” por um motivo muito conveniente. It’s a gift! Querer que as coisas andem depressa demais pode nos levar à loucura, e para perceber isso basta pensar no quanto não faz sentido vivermos no vício de querer que as coisas aconteçam depressa se, quando o tempo de que elas acontecerem chegar, estaremos novamente com pressa para que muitas outras aconteçam. Você já parou pra perceber como as pessoas têm ficado apavoradas dizendo frases como “nossa, como o dia passou depressa!” – a frequência em que essas palavras saem da sua própria boca?

E contrapartida, a procrastinação (palavra da qual me tornei escrava e decidi encarar como pecado pra me ajudar a tomar vergonha na cara) também rouba o presente. A inatividade me torna inútil. Ela nada contra a maré do desenvolvimento da minha obediência, quando prefiro obedecer à falta de vontade de seguir em frente e adio as tarefas que o meu dia prometeu cumprir. Sentir-me inútil me tira do sério.

O vídeo da semana passada fala disso. O termo “semana passada” pode soar ultrapassado pra você, já que estamos vivendo um tempo de bastante urgência em todos os lugares que estamos inseridos. Tudo bem. Estou sendo intencional nisso. Quero fazer você pensar sobre como andamos ansiosos por saber quais serão os nossos próximos assuntos, quando não resolvemos ainda, sequer, os que temos nas nossas mãos.

Pense sobre isso. Viva essas verdades. Respeite o tempo (o seu, e o do seu Pai também).

22 de janeiro de 2018 5 comentários
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Hoje eu decidi fazer algo diferente. Ainda que o texto de hoje não possua uma estrutura de devocional, acho importante compartilhar alguns pensamentos sobre o que eu espero desse ano (e, ainda que superficialmente, sobre alguns aprendizados que o ano que passou deixou por aqui). Talvez esse não seja um daqueles textos que você consiga tirar diferentes frases pra colocar na legenda ou no stories do instagram (e, eu confesso: esses são os meus favoritos por não me preocupar tanto com estruturas frasais), mas não significa que não podemos crescer juntos através de coisas assim também.

2017 foi um ano cheio (e reconheço que não foi só por aqui). Tenho pedido nos últimos tempos muita sabedoria para discernir as diferentes fases que estou passando, e hoje encorajo você a fazer o mesmo. Provavelmente eu e você estejamos vivendo coisas bastante distintas e, por esse motivo, quero aproveitar a oportunidade de fazer você olhar pra dentro de si mesmo e identificar em que ponto do caminho você está.

Honestamente, o caminho que percorri da metade do ano pra cá foi de veras tortuoso. O ano que passou começou sem saber onde ia terminar e terminou cheio de reticências. Não foi como se 2018 tivesse começado com o sentimento comum de “estou realmente empolgada com o que está por vir” e acredito que essas não são más notícias, pelo contrário. A ausência de toda a empolgação removeu o meu eu e toda a pressão que esse “eu” tem de fazer as coisas darem certo e deu espaço para que uma nova semente fosse plantada no jardim do meu coração: a semente do descanso.

É claro que eu gostaria de ter começado o ano dizendo que “as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez 2018”, mas seria uma burrice gigantesca da minha parte negligenciar cada um dos processos que estão terminando (e os que estão apenas começando). O caminho para a plenitude não acontece quando você sempre começa tudo do zero de deixa todas as coisas inacabadas, mas quando você humildemente insiste em terminar todas as coisas no seu devido tempo. Não me envergonho em afirmar que sigo construindo a melhor versão de mim. Ainda sinto que não estou a viver a Roberta tal como ela é (conheço alguns resquícios dela, mas ainda sigo encontrando a totalidade), mas ela está cada vez mais próxima.

Estou cheia de esperança pra esse ano que acaba de nascer. Digo isso com um sorriso muito largo no rosto e com os olhos marejados. Ainda mais agora, depois de recordar que

Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. – Romanos 5:1-6

Não há nada que Ele já não tenha feito por nós.

Tá tudo bem.

Ah! Feliz 2018.

8 de janeiro de 2018 26 comentários
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É engraçado perceber como o ano novo faz nascer nos corações a sensação de que as coisas podem ser completamente diferentes, mesmo que tudo pareça aparentemente igual. Eu não iria escrever sobre esse assunto, já que todo começo de ano se inicia com uma série diferente de expectativas sobre tudo e, no final das contas, nada acontece como o planejado (por mim). Se você é ansioso como eu, sabe que eu estou falando da famosa lista de metas.

Muitas vezes perguntei ao Senhor se deveria parar de fazer planos, já que nenhum deles acabava se concretizando como eu esperava e, no fim de tudo, Ele sempre acabava por fazer as coisas conforme a Sua vontade. Sendo vulnerável, na maioria das vezes eu terminava frustrada. A sensação de que eu não estava fazendo nada certo me tomava com grande frequência e eu preferia, então, abandonar tudo e deixar pra lá. Costumava chamar isso de “confiança em Deus”.

Percebi que estava fazendo tudo errado.

O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.

Provérbios 16:9 (ARA)

Caminho e passos. Coisas distintas, mas não desconectadas.

Passei a vida toda focando nos passos, ao invés de me preocupar com aquilo que, de fato, a bíblia me ensina a traçar: o caminho. O macro. A ideia. O destino. Enquanto perdi tempo tomando pequenas decisões que vinham do meu coração, o Senhor esteve sempre disposto a tomar o controle de cada um dos passos e conduzi-los. Mas para onde iríamos, se o meu foco estava naquilo que não me cabe? De mim depende traçar o caminho. De Deus depende o direcionamento de cada um dos passos por esse caminho.

O Senhor não nos impede de fazer planos: Ele deseja fazer planos conosco.

Quando entendermos que os caminhos que traçamos com a ajuda do Pai são infinitamente maiores e melhores do que aqueles que traçamos sozinhos, aprenderemos a nos deixar nossos passos serem conduzidos pelo Autor da vida (e de toda a história).

Eu não abandonei a lista de metas, mas decidi reescrevê-la na presença do Grande Artista e permitir que Ele tome o ritmo do caminhar, a direção e o que mais lhe couber.

Entender que nos importa obedecer ao senhor com aquilo que Ele depositou sobre as nossas mãos hoje, fazendo o melhor que pudermos e confiando que Ele é bom, fiel e justo para nos sustentar nos momentos difíceis (e nos felizes também) é a parte que nos cabe. Ademais, Ele é Deus. Ele é bom.

Querido Deus, entrego o ano que inicia nas suas mãos. Entrego os caminhos que o meu coração deseja traçar e peço que o Senhor direcione cada um dos meus passos. Que não seja feita a minha vontade, mas a Tua. Me ajude a me abandonar completamente aos Teus pés. Me ajude a morrer para mim e a sonhar os Teus sonhos. Quero te amar com meu tempo, com as minhas afeições e com os meus planos também.

Tome tudo o que lhe pertence em mim,
em nome de Jesus, Amém!

1 de janeiro de 2018 11 comentários
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Todos os dias quando me levanto enfrento uma luta da qual muito me envergonho: a luta contra o meu eu. Muitos são os que pregam uma visão triunfalista da vida, e eu realmente tento entender o que eles dizem. É claro que com Jesus o fardo fica mais leve, mas me lembro que desde o começo da minha caminhada cristã essa pergunta sondava os meus pensamentos: será que eles realmente não enfrentam o pecado? Esses que dizem que os que sofrem pelo pecado ou em suas tentações não estão tão próximos assim de Jesus. Será mesmo? Aprendi algo precioso e preciso lhe dizer: essa não é a pergunta certa. Pare com isso (se estiver fazendo isso).

Comparar-se com os outros não faz sentido, quando o nosso maior parâmetro deveria ser a escritura. O que a bíblia diz sobre as tentações? O que o Senhor diz sobre vivermos em um corpo corruptível? Porque diabos eu ainda luto contra coisas tão pequenas? O que a bíblia diz? Não vamos fazer um estudo muito aprofundado aqui, afinal de contas esse é só um devocional e o objetivo disso tudo é fazer você refletir sobre algumas questões que estão presentes no coração humano mas que muitas vezes são ignoradas. Isso aqui é uma espécie de conversa, e eu preciso ser franca com você.

Eu sou tentada.

Quero deixar isso muito claro. Sou tentada de diversas formas nas mais diferentes áreas da vida, com intensidades distintas de acordo com o que é mais difícil de enfrentar. Eu caio. É difícil, mas me levanto (na verdade, Ele me levanta) bato a poeira da roupa e sigo em frente. Todos os dias.

A todo instante declaro sobre mim as verdades que já me foram estabelecidas e, ainda que o meu entendimento não receba a revelação daquilo que digo, repito até que se torne verdade e eu seja transformada pelas coisas que o Senhor pensa ao meu respeito. “Você sabe que Ele sabia que você erraria, e que seria difícil seguir em santidade, e todas essas coisas mas ainda assim não mudou de opinião ao seu respeito, certo?”. Isso significa que a graça é barata? Não. Significa que eu preciso dela e que sem ela eu não sou nada.

Ele venceu.

Existem muitas formas de enfrentar a própria natureza pecaminosa. Dizer pra você uma fórmula não significa que ela vai funcionar com você, mas aprendi a colocar os meus sentimentos e o meu “eu” desvairados em cativeiro diante do amor de Deus. Eles não vão sozinhos para lá (especialmente quando estão desnorteados pela natureza humana). Preciso, então, tomar a Roberta todos os dias e levá-la a uma exposição intensa da obra redentora de Jesus, do amor e das promessas que o Senhor já depositou sobre a sua noiva.

Todos os dias, coloco-me forçadamente de joelhos em Sua presença e rendo tudo o que sou (que não é nada sem Ele) aos Seus pés. Torno meu coração um espaço em que Ele pode, enfim, fazer o que quiser e desse jeito vamos levando as coisas.

Não sobreveio a vocês tentação que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, ele mesmo providenciará um escape, para que o possam suportar.  {1 Coríntios 10:13}

Ele está presente. Ele é o escape. Ele sabe que é difícil (acredite, Ele mesmo passou por isso), mas Ele está com você. Não importa onde você esteja. Não importa como. Ele é fiel e justo. Leve-se cativo à Sua presença. Exponha-se ao Seu amor e graça. Ele pode restaurar qualquer situação. Declare sobre si as Verdades que já foram ditas sobre você. Tome a sua cruz, não se submeta a ela. Siga em frente. Pregue a si mesmo. Por amor a Ele.

Querido Deus, tudo vale a pena pra Te ter. Por você posso enfrentar os meus piores inimigos, e até mesmo a mim. Se for pra te Ter, eu o faço. Quero mais da Sua presença. Quero mais do Seu amor. Ajuda-me a vencer os desafios. Preciso da Sua revelação. Escreve no meu coração a Tua lei, para que eu não peque contra Ti. Sei que me apegando a você, me deixo para trás.

Em nome de Jesus, amém.

11 de dezembro de 2017 32 comentários
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