Autor

Luma Marconi

Foi como um click.
Infelizmente não tive esse “click” na primeira vez que ouvi essa frase. Precisei ouvir e ler isso uma centena de vezes, até finalmente entender.

Ela foi escrita por Stephen Chbosky, autor de “The Perks of Being a Wallflower” ou (As Vantagens de Ser Invisível, em nossa singela versão em português). Talvez você seja como eu, já ouviu essa frase mais de uma vez por aí e nunca parou para pensar no significado profundo que ela carrega.

À começar pelo assunto que mais evito falar na vida: a vida sentimental. Eu sei, eu sei. No fundo, todo mundo ama e odeia falar sobre esse tipo de amor. Que se manifeste quem nunca teve o coração partido em mil pedacinhos. Quem nunca ouviu da sua melhor amiga: “Relaxa, ele não te merece.” Ou do seu amigo “Putz cara, tem outras meninas por aí…” Bem, se você não, eu já.

Quando alguém vira para você e diz que ele/ela não te merece, o que você faz? “É, você tem razão.”, você se esforça para concordar. Mas será que é isso mesmo que seu coração está pensando?

Com certeza não.

Quando você se abre para a possibilidade de um relacionamento de amor, – e vamos mudar o foco, não precisamos falar sobre sentimentos de paixão. – Talvez um relacionamento de uma nova amizade, ou até uma velha amizade, com seus irmãos, com seus pais ou qualquer pessoa próxima à você que você abre seu coração para amar e, como bons humanos que somos, receber amor em troca.

O que acontece quando o amor não é correspondido? Aquele amor no qual você entregou um pedaço de si, por achar que merecia mais amor em troca? É como se nossa mente desse um nó.

Voltemos para a frase inicial deste texto: Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos.

Volte, leia de novo. Consegue captar a verdade e a profundidade disso?

Bem, você se abriu para um amor que você achou que merecia, ou seja, aquela pessoa sim, poderia suprir o que você considera o “ideal” pra você. Como se todo valor que você pensa ter, pudesse ser “pago” por esse outro alguém. Você aceitou o que você pensa merecer.

Se um garoto não corresponde ao seu sentimento: “Acho que não sou boa o suficiente para ele.” Se você se declara para uma garota e ela só te vê como amigo: “Ela prefere caras melhores do que eu, ela nunca me amaria.” Se sua melhor amiga, de alguma forma, te substitui: “Eu nasci pra ser solitária mesmo, vai ser sempre assim.”

Para algumas pessoas, é muito difícil se abrir para qualquer tipo de relacionamento de afeto mais íntimo e quando isso acontece, é como uma vitória dentro de si. Em contrapartida, quando o afeto não é correspondido, quando o pedaço do coração que foi entregue, não é preenchido com o coração do outro que o recebeu, o que há dentro e si é uma grande derrota e sentimento de humilhação.

Isso também explica porque tantas pessoas se encontram em relacionamentos abusivos, más companhias, amizades erradas, lares destruídos, ambientes tóxicos e não movem um dedo para sair disso ou mudar a situação: Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos.

Nosso valor, a forma como nos enxergamos, parece diminuir cada vez que as rachaduras vão aparecendo em nossa alma. Cada vez mais, entregamos nossos tesouros à pessoas que não cuidarão deles com o devido apreço e sabendo o quão preciosos eles realmente são. Por quê? Ora, porque é isso que achamos que merecemos.

Você se torna vulnerável a partir do momento que se sente confortável.

“Será que finalmente encontrei um lar?” Palpita seu velho coração.
Aquilo que você vê em si mesmo, determina o quanto e/ou para quem ou o quê você se entrega. Aquilo que você, inconscientemente acha que merece, determina o que você aceita e o que você entrega.

Vou dizer o que você não merece:
Você não merece achar que não é boa o suficiente para alguém;
Você não merece se sentir diminuído;
Você não merece enterrar os seus talentos por uma crítica;
Você não merece os cortes no seu braço;
Você não merece ser assediada nem ser tratada com machismo;
Você não merece entregar seu corpo porque ele disse que você “já não vale nada mesmo”;
Você não merece se sentir humilhado por alguém que depositou toda arrogância em você;
Você não merece o bullying;
Você não merece um relacionamento abusivo.

Um exemplo inverso: Na série 13 Reasons Why, Hannah Baker não aceita o amor de Clay por não se achar merecedora dele. A personagem foi tão ferida por outros rapazes que a desvalorizaram, que ela mesma não acreditava mais em seu valor. Sabemos muito bem como essa história acabou.

Hoje, com muito carinho a respeito de si mesma(o) observe o tipo de amor que você tem aceitado para seu coração. Observe se isso é realmente amor ou uma armadilha da sua própria mente e do seu coração que, por algum motivo, te condenam. Observe se você não está em um relacionamento (amizade, namoro, profissional…) que tira sua identidade. Tente se livrar das bagagens que diminuem seu real valor. E se, ainda assim, seu coração te condenar, lembre-se que Deus é maior que seu coração. (1 João 3:20)

xx Luma.

8 de maio de 2017 13 comentários
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Oi! Aqui é a Luma novamente, como estão?
Eis um fato sobre mim: eu estou viciada em Grey’s Anatomy.

Agora pouco, eu acabei de assistir o terceiro episódio da terceira temporada. Esse texto contém spoilers desse episódio, mas não se preocupe, isso não vai te atrapalhar, caso você ainda não tenha chegado nessa parte da série.

Nesse episódio, uma garotinha chamada Megan (interpretada pela brilhante Abigail Breslin), chega ao hospital apenas para fazer saturas em diversos machucados abertos. Dr. Karev faz de tudo para cuidar de seus ferimentos, porém a menina diz que não precisa daquilo, afinal, ela é uma super heroína. Pois é. Megan afirma com toda certeza que uma pessoa pode ter, que ela não sente dor alguma. É claro que os médicos pensam que a garota precisa de acompanhamentos psicológicos. Ela faz de tudo para convencer Alex Karev de que ela é especial, que é “super”.

Conta até, que deixou que um garoto à espancasse com um taco de beisebol na região do estômago e ela não sentiu nada. Dr. Karev, preocupado, leva Megan para fazer um ultrassom e descobre que a garotinha está com hemorragia interna no abdome. Além disso, depois de uma bateria de exames, a descoberta do diagnóstico: Megan tinha uma doença cognitiva que realmente à impedia de sentir qualquer tipo dor. Isso fez com que a garota fizesse coisas além do que seu corpo poderia aguentar. Conclusão: Megan estava morrendo, precisava de uma cirurgia de urgência.

A importância da dor.

À caminho da sala de cirurgia, Dra. Bailey, a cirurgiã residente que iria opera-la, disse uma frase na qual inspirou esse texto: Essa garota deveria sair no jornal, para as pessoas entenderem a importância da dor.

Eu não consegui tirar essa frase da cabeça. Foi como se uma luz se acendesse e me dissesse: “Entendeu agora???”
Comecei a pensar nas dores de nossa alma. Na angústia de nosso espírito. Em nossa mente esgotada. No coração partido.

Nesse momento, eu agradeci a Deus pela dor. Agradeci por minha aflições. Agradeci por ter me criado alguém que sente as coisas com profundidade.
Deus nos deu o privilégio de ter sintomas para saber quando nosso espírito está morrendo. De colocar em nosso peito, sinais de uma alma desesperada. O Pai, nos fez a bondade, de colocar a dor aguda em nosso coração quando precisamos de arrependimento, pra que assim, os sintomas de nosso espírito doente fossem detectados, tratados e curados por Seu Espírito.

A dor, a aflição, a angústia, são os sintomas dados pelo Criador, para que possamos buscar o grande médico das almas: Jesus.

A presença de Deus é a sala de emergência em que corremos quando estamos com o coração quebrado. A Palavra é como o cirurgião que opera nossa mente cansada e que devolve o oxigênio aos nossos pulmões. Jesus é nosso eterno pós operatório.

Eu sei. Todo mundo já pediu à Deus que a dor se fosse. O próprio Cristo, tomado por uma angústia tamanha, que atingiu seu físico, pediu a Seu Pai que o cálice da dor fosse afastado Dele. Mas em seguida, pediu que a vontade do Senhor fosse feita e aceitou o ultimato do sofrimento. E, bem… Ele venceu.

Hoje, peço à Deus que abra meu peito com seu bisturi, e com sua Palavra, que é como espada que penetra na alma, opere o meu coração segundo Sua própria vontade, mesmo que sem anestesia. Não se esqueça: você tem consigo o Consolador. Você tem aquele que cicatriza as feridas e retira os grande tumores de nosso espírito. Você tem aquele que cura.

E lembre-se: cicatrizes representam feridas curadas.

Com o Amor, Luma.

23 de janeiro de 2017 20 comentários
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Oi. Eu sou a Luma, tenho 22 anos, amo Arte e vou começar a escrever para a Beta de vez em quando aqui no blog.

Creio que isso é tudo que posso falar sobre mim no momento. Vou explicar o porquê:

Há uns dias, estava conversando com um amigo e estávamos falando sobre o que foi o ano de 2016. Ele disse algo no qual me identifiquei e me fez refletir por dias. A frase que ele disse foi: “Acho que só esse ano, eu fui umas sete pessoas diferentes.” Imediatamente concordei. Isso ficou ecoando dentro de mim e não consegui parar de pensar sobre.

Identidade, identidade, identidade.

Eu sei, é estranho afirmar algo assim. Nunca se ouviu tanto sobre identidade como em 2016. Sobre propósito, sobre se descobrir, se aceitar e encontrar o seu destino.

Vi, quase que diariamente, pessoas influentes ou não, afirmando sua identidade. Expondo cada detalhe daquilo que acreditam ser parte do que foram projetadas para ser, gostar e viver. Não digo que isso seja ruim, ou que eu não acredite em suas paixões e destinos. Talvez, eu até admire tamanha facilidade com que vi essas pessoas se descobrindo. Eu sei, eu sei. “Elas se encontraram em Cristo” você provavelmente vai me dizer. Ou talvez você me diga: “Basta, apenas, se focar em Jesus!” Tá bom. Disso, nós sabemos. Mas, vamos lá:

Algumas pessoas trabalham cerca de 9 horas por dia, estudam à noite, tem atividades extras para fazer. Compromissos da igreja ou trabalhos voluntários, precisam dar atenção para a família e tentam ter tempo de qualidade com os amigos.

Isso não deve jamais ser um empecilho, Cristo deve ser o centro em tudo, independente da sua rotina. Eu sei disso. Mas, infelizmente ou felizmente, somos humanos. Eu, sou um ser humano. Admito que lidar com o caos e as distrações faz com que eu me perca facilmente e a rotina, enfim, me engula. Me perder nesse caminho, é muito fácil. Perder a si mesmo, é muito fácil.

Cito aqui, as palavras de Sandy e Tiago Iorc na canção “Me Espera”:
“Eu ainda estou aqui/ Perdido em mil versões/ Irreais de mim/ Estou aqui por trás de todo o caos/ Em que a vida se fez.” Essas palavras falam por mim.

Em quase 365 dias desse ano de 2016, vivi mil versões de mim mesma. Mas, insisto em pensar que é dessa forma que o Pai tem me mostrado quem sou: me mostrando quem não sou. Me conheci esse ano, ao me desconhecer. Ao me desesperar, ao ansiar pelo certo em meio ao incerto.

Me perdi na rotina, nos cafés, nas palavras, sentimentos e em mim mesma. Descobri o pior que há mim. Fui tantas coisas que não gostaria de ser. Também entendi muito sobre o que devo ser. Fiz muito do que não queria, e pouco do que realmente queria. Perdi aquilo que não estava preparada para perder e ganhei aquilo que não esperava. Me rendi às minhas falhas e me afundei em dores para, no fim, ver uma fresta de luz em meio às rachaduras que esse ano me causaram, daquilo que é parte de quem eu sou.

Hoje, eu tenho certeza de um pouquinho de mim, no qual quero seguir sendo pelo resto de minha vida. Ou talvez, parte dela. Sigo assim, cheia de “talvez”, “quem sabe” e “eu acho que”.

Um passo de cada vez.

Esse mês de dezembro, em que parece que as coisas finalmente floresceram ao meu redor, ando me perguntando o por que de tamanha urgência em construir uma identidade em tão pouco tempo. Não deveria ser uma caminhada? Mesmo que lenta, estamos em frente. Mesmo que inconstantes, prosseguimos. Somos jovens ansiosos pelo futuro. Eu mesma, penso no futuro o tempo todo. Mas, nos últimos dias, Cristo tem me dado paz. Se me perder no caminho – e eu sempre me perco – tenho essa certeza, que sempre, SEMPRE basta olhar para o lado e ver o meu Redentor com a porta de saída para voltar a seguir em frente. Ele sempre está ali. Aqui.

“Eu que tanto me perdi/ Em sãs desilusões ideais de mim/ Não me esqueci/ De quem eu sou/ E o quanto devo a Você.”

Tenha paz. Você vai se descobrir aos poucos. Passo à passo, dia à dia, mesmo que a rotina te afogue, mesmo que as distrações te consumam, você vai conseguir. Mesmo que as dores e perdas te matem. Não é pelo seu esforço. É escancarando o seu eu, para si mesmo e para Deus. Não é se expondo, mas se escondendo Nele. Como uma lagarta em seu casulo. Uma hora, ela será uma linda borboleta e irá voar. Quando você menos esperar, vai voar! Cristo é seu casulo.

É tudo parte de um longo processo. Por mais que todos ao meu redor pareçam cem por cento seguros de seu propósito e de como seguir seus caminhos, quero sempre me lembrar que com cada um Ele trabalha de forma diferente. O meu processo particular tem sido lento, porém profundo e significativo. Nesse ano, amadureci mais do que em meus anos anteriores.

Finalizo com mais um trecho da música que foi trilha sonora para essa escrita:
“Mesmo quando me descuido
Me desloco
Me deslumbro
Perco o foco
Perco o chão
Eu perco o ar
Me reconheço em Teu olhar
Que é o fio pra me guiar
De volta… De volta.”

Caminhe com calma. Abrace o seu processo. Façamos isso juntos!
Mesmo que você continue se perdendo em tantas versões irreais suas, Ele te espera.

Com carinho,
Luma.

21 de dezembro de 2016 11 comentários
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