Carta

Por que você vive o que vive e corre atrás das que coisas está correndo? Esses tem sido dias de desconstrução completa por aqui. Acredito que esse será um ano em que vasos serão quebrados em todas as esferas da vida dos filhos de Deus. E quer saber? Ainda bem.

Temos vivido tempos intensos e é difícil manter o foco e a concentração nas coisas que Deus está fazendo no meio dessa revolução gigante. Somos bombardeados com novidades e coisas que nos deixam “waaaaaaaaah como assim?!” o tempo inteiro. Vemos cristãos invadindo as ruas, curando os enfermos, entregando palavras, libertando os cativos… Do fundo do meu coração: eu amo isso.

De verdade, não sou ninguém. Muitos de vocês já estão há anos caminhando com Deus e insisto em dizer: tenho muito a aprender. Há dois anos eu não fazia ideia do que significava “igreja” e a cada manhã me levanto sabendo que algo novo o Senhor há de me ensinar.

Eu meio que nasci no meio desse mar de intensidade que essa geração tem vivido, mas já vivi momentos de entusiasmo gigante quando não vivia com Deus e posso dizer: todos eles passaram. É aí que a minha base treme.

Deslumbrados e fadados.

Nós, enquanto seres humanos, estamos fadados à ficar de saco cheio depressa. Tudo o que é incrível, uma hora passa a ser comum. Todo entusiasmo, hora ou outra, deixa de ser. Com a facilidade que ficamos deslumbrados, deixamos de ficar. Isso é extremamente curioso (diria até perigoso, mas decidi eufemizar). Na bíblia temos muitos exemplos de como essas coisas aconteceram, como quando o maná que caía do céu e a coluna de fogo que acompanhava o povo de Deus passaram a ser comuns, e mesmo hoje: você sabia que a água cair do céu é um milagre? Isso não acontecia antes de noé, por exemplo.

O entusiasmo sem foco pode nos levar à beira de um precipício sem que percebamos. Dessa forma, não exorto a empolgação pois acredito que é ela que nos impulsiona pra frente. É ela quem nos faz levantar todos os dias, que nos eleva. Minha apreensão está no coração humano, que facilmente pode se perder no meio de tanto alarde.

Por favor, cuide do seu coração. Acredite, direciono essas palavras aos meus ouvidos também.

Não digo estas coisas a fim de lhes repreender, mas alertar. Não conheço seus pensamentos, não sei se levantaram altares nos seus corações para coisas que não deveriam estar lá, mas cuidem dos seus corações.

O foco.

Não se esqueçam da essência do evangelho, em nome de Jesus! Não concentrem-se apenas nos que estão perdidos, doentes e oprimidos foras das paredes das suas congregações mas naqueles que estão do lado de dentro também. Não concentrem-se em ganhar as famílias do mundo, apenas, mas lembrem-se das suas. Não concentrem-se em contar suas histórias de avivamento ao máximo de pessoas que conseguirem para conquistar influência, mas lembrem-se do lugar secreto. Jesus não se preocupou em apenas contar histórias, mas em vivê-las.

O Amor, amou. Lembre-se da inocência de uma criança e concentre-se em Deus.

Vivam a intensidade das coisas que estão acontecendo, mas não se esqueçam que Jesus não vive em você só pra que Ele esteja em você: Ele veio porque quer amar o mundo através de você.

Não é sobre você, é sobre Ele. Não é sobre suas histórias: é sobre vida. E vida em abundância.

25 de maio de 2017 12 comentários
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Sinto constantemente uma necessidade absurda de sumir. Não é tão triste quanto seus pensamentos fizeram soar. Na verdade, estou cansada de ver as pessoas olhando pra essa parte de mim com “pena”. Como amiga, me sinto obrigada a te dar algumas satisfações acerca do que realmente acontece quando me afasto de tudo, ou de você, ou seja lá do que mais eu me afastar. Talvez grande parte das pessoas que abraçam a solidão não olhem pra ela com os mesmos olhos que eu (e talvez essa grande parte precise realmente de ajuda psicológica, atenção especial e abraços quentinhos).

Meus vinte e poucos anos de vida me fizeram perceber que a maioria das pessoas que conhecem esse meu lado “obscuro” não sabem lidar muito bem com ele… Existem sim os que são tendenciosos à depressão, mas eu nunca me senti parte desse grupo. Existem sim aqueles que se afastam dos amigos e precisam ser resgatados porque ficam mais fracos, mas esse nunca foi o meu caso.

Dois parágrafos pra “ajudar você a lidar”:

Em verdade, em verdade eu te digo: não preciso que você me resgate, mas que me ame e respeite. Não preciso que corra atrás de mim e diga “estou preocupado com você, está tudo bem?” (e, quero deixar claro, que acho isso lindo demais… não se sinta culpado se acaso se sentir assim), só preciso que diga “eu estarei aqui quando voltar”. Tenho duas grandes amigas que aprenderam a lidar com isso de um jeito incrível, gostaria de compartilhar: elas mandam mensagens dizendo “estou com saudades”; “estamos juntas, conectadas”; e mandam áudios engraçados de modo completamente aleatório. É simples! O amor, carinho e consideração que temos umas com as outras nunca muda.

A solidão sempre foi associada à tristeza e acredito que isso aconteceu pelo simples fato de que desenvolvemos uma capacidade desconhecida de ignorar nossa essência. Os momentos à sós nos expõem pura e simplesmente a quem somos de verdade (e algumas pessoas estão aprendendo a aceitar seus verdadeiros “eus”). Mas aqui é diferente, por isso sinto que preciso te explicar.

Eu não escolho sumir: eu preciso.

Não sei se você já teve a sensação se estar no meio de muitas pessoas e, de repente, só desejar estar assentado na sua cama existindo. Eu amo me assentar na minha cama e simplesmente existir! Eu amo colocar minhas músicas favoritas e dançá-las com Deus. Eu amo apagar as luzes à noite, deixar a janela aberta e pensar como a luz tem mais influência sob a escuridão do que o contrário. Amo criar teorias com o Pai que simplesmente me esquecerei em cinco minutos ou fazer planos impossíveis e mirabolantes que não fazem sentido algum. Ruído demais, gente demais e informação demais são coisas que me sufocam.

A solitude me traz alegria. É importante reconhecer que existem pessoas que precisam do contato social pra manter seus relacionamentos, e que olham para a solitude com olhos de solidão. Não há nada errado em não querer estar só, assim como o mesmo se aplica ao fato de desejar isso. A solidão dói, mas a solitude traz paz. Sumir me rejuvenesce, me traz vida, me faz crescer!

Há dias que esses momentos duram só alguns minutos, ou horas. Há momentos que o meu desejo de estar só passa do período de um dia (e houveram situações que isso durou semanas!), mas eu sempre volto. Sempre volto e o tempo longe não esmorece nada em mim: eu continuo a amar com a mesma intensidade.

Eu voltarei, sempre volto (só esteja lá quando esse momento chegar).

15 de maio de 2017 35 comentários
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Eu tenho te observado. Desde a primeira vez que te vi, lembrei um pouco do alguém que já fui. Sinto aqui, dentro desse coração, o desejo de te dizer algumas coisas. É estranho pra mim, porque parece que estou escrevendo uma carta para o alguém que já fui e, já fazem alguns anos que eu só sei escrever cartas pras pessoas que farão parte do meu futuro. Eu não quero parecer invasiva, pois sei que quando fazemos parte do time dos tímidos costumamos nos afastar do mundo e de todos.

Well…

Eu sei que você não consegue acreditar em si mesma. Sei que é difícil encarar a possibilidade de jamais ter sabido como você é de verdade e sei que também pensa que talvez a jornada de “viver sendo você mesmo” seja uma coisa que poucos alcançam (e que você não faz parte desses “poucos”). Não conheço sua história o suficiente para dizer que sei onde estão as raízes dos seus problemas, mas consigo imaginar algumas delas.

Por mais que você pense ao contrário disso: o seu coração é bonito. Eu consigo vê-lo no seu cuidado e no seu zelo. Sei que pode parecer maluquice, e que na esperança de agradar o mundo nos escondemos de nós mesmas… Mas acredite em mim: o seu coração é bonito. Talvez você não consiga enxergá-lo ou pense que os meus olhos só enxergam a versão de você que você “inventou” de si mesma… Mas o seu coração é bonito.

Já passei por essa coisa de inventar alguém que substitua a versão “sem sal” e insossa que acreditamos que somos. Já passei pela fase de bolar um bom figurino e um jeito diferente de falar e se expressar. Sei que você buscou muitas referências em modelos e blogueiras estilosas. Sei que pensou em cada detalhe dessa versão impostora e posso dizer: você fez um bom trabalho. Essa versão de você é mesmo muito bonita, mas ela tem um grande e grave problema: ela não é você.

Por favor, não se culpe por isso. Eu sei que quando você olha no espelho também enxerga isso e, de verdade, muita gente no mundo passa pela mesma coisa. Muita gente no mundo também se perde tentando se encontrar mas eu quero te dizer que não existe ninguém no mundo como você é.

Eu não estou falando com a impostora, estou falando com você. Você não precisa ter vergonha de você! Sabe, Deus vê o nosso coração. Ele enxerga coisas que nem mesmo nós mesmas podemos enxergar a respeito de nós (e eu sei, isso foi muito doido pra entender lendo uma só vez… leia de novo!). Essa coisa que você criou aí é muito infalível. Essa coisa que você maquiou em você parece ser aquilo que Deus também gosta de ver mas quero te dizer que não! Isso não é verdade.

O mundo espera ardentemente a versão verdadeira da menina linda que só possui os olhos que você possui. Eu espero por isso. As pessoas ao seu redor esperam por isso. Deus espera! E você mesma também espera!  Seus erros não são maiores do que a obra incrível que o Criador de todas as coisas planejou antes da fundação do mundo. Não pense que não é capaz de se encontrar dentro de você: você já está aí dentro. Saia do seu esconderijo sem medo!

O mundo pode parecer escuro ao seu redor, e a solidão pode ter encolhido seu corpo nesse lugar frio… Mas eu posso ver a mão do Pai invadindo o breu e arrancando você de lá de um jeito furioso e gentil. Posso ver o Pai te trazendo para perto do peito e te mostrando o quão maravilhosas são as coisas que Ele pensou para cada um dos seus dias. Vejo o Mestre te ensinando uma nova dança e o perfeito amor lançando todo o medo para fora.

Olhe pra Ele.

Abafe os ruídos.

Deixa Ele embalar teus pés, menina.

Bem-vinda à vida. A verdadeira vida!

 

2 de maio de 2017 16 comentários
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