Comportamento

Aqui vos escrevo do lugar de humildade e vulnerabilidade sobre uma das prisões que me mantiveram encarcerada durante bons anos. Para os ansiosos e indecisos, essa prisão pode colocar grades em volta do pensamento num piscar de olhos. O interessante é que nem eu mesma percebia que me encontrava no estado “sem saída” até que, algum dia, ouvi o que estou para lhes dizer de um outro Alguém e, por esse motivo, me encontro aqui escrevendo cada uma dessas palavras na esperança que que elas encontrem um coração aflito e sedento de libertação – que provavelmente nem imagina que precise desse remédio do céu.

A tortura das mil possibilidades.

Pessoalmente, sempre fui o tipo de pessoa que gosta de projetar mil possibilidades para qualquer coisa na vida. Houve um tempo em que eu me orgulhava dessa característica por demonstrar prudência e responsabilidade. Eu gostava de pensar que era uma mulher prevenida e isso sempre me trouxe grande segurança – e, por falar em segurança, eu sempre amei esse lugar. Me doía não saber o que poderia acontecer sobre qualquer ação e o sofrimento me acometia sempre que alguma coisa fugia dos meus planos (ou das mil possibilidades que havia figurado na cabeça). Prazer, Roberta Geller (ando viciada em referências a Friends, me desculpem).

O ponto é: esse tipo de coisa me fazia demorar a tomar uma decisão e, quando eu *finalmente* tomava uma decisão ficava presa na indecisão do “e se eu tivesse tomado outro caminho”. Tal pensamento me privava de continuar em paz e avante nas minhas escolhas e isso me deixou, durante bons anos, encarcerada dentro de mim. Eu sofri durante muito tempo sozinha sem perceber que ao invés de simplesmente seguir em frente nas minhas (mesmo que ponderadas) convicções e viver uma vida livre de auto-cobrança, eu preferi me martirizar no limbo do que poderia ter acontecido se eu não tivesse tomado os caminhos que escolhi tomar.

É claro que eu sempre contei com o auxílio do Senhor para tomar direcionamento sobre qualquer coisa (ainda mais à luz das Escrituras) mas, de alguma forma, a minha fé de que Ele estaria sempre a me cuidar e guiar ao centro da Sua boa, perfeita e agradável vontade parecia entrar no modo “mudo” e esse desespero simplesmente tomava conta de mim sem que eu percebesse. 

A ideia de que ao tomar um caminho eu estaria anulando todos os outros (que também me pareciam atraentes) parecia desesperadora já que “a chance de dar errado” era, a partir disso, um caminho sem volta. Me acomete que esse deveria ser o cálculo que muitos cristãos deveriam tomar ao escolher a Cristo, verdadeiramente:


Quem começa a construir uma torre sem antes calcular o custo e ver se possui dinheiro suficiente para terminá-la? Pois, se completar apenas os alicerces e ficar sem dinheiro, todos rirão dele, dizendo: ‘Esse aí começou a construir, mas não conseguiu terminar!’.

Lucas 14:28

É sempre importante lembrar que escolher a Cristo é a decisão mais importante da vida humana e que ela é um caminho sem volta. Quando se trata da eternidade não existem meias escolhas e, ao tomar o Caminho não há como sequer cogitar uma rota de retorno. Esse não é o tema do texto mas achei importante citar se, por acaso, você esteja a cogitar essa opção em meio às outras mil sobre o futuro.

Não é porque uma decisão não deu certo que ela foi a decisão errada.

Foi necessário que o Senhor desmistificasse isso em mim. A minha falta de fé no direcionamento do Espírito e a minha falta de fé em mim mesma me roubaram bons anos de paz e é por esse motivo que eu estou aqui escrevendo cada uma dessas coisas. 

Por pensar demais acabamos amarrados por nossos “e se?” e deixamos de nos entregar plenamente ao presente, que se chama presente por um bom motivo. Por pensar demais acabamos encurralados em nós mesmos e nas nossas próprias indecisões deixando de viver a plenitude que o Cristo já tem preparado para cada um de nós. E no meio desses “nós” nos perdemos dos destinos brilhantes que a fé no “melhor de Deus” pode nos entregar como um presente.

Isso não significa que as escolhas de paz nos levarão a caminhos livres de sofrimento e luta (e é claro que estou falando de caminhos que tomamos no Senhor, e não desinteressados do conhecimento da Sua vontade). “Se eu tivesse tomado a outra estrada não estaria sofrendo aqui hoje!” Mentira! As Escrituras nos alertam que passaríamos por aflições, mas elas nos encorajam a ter bom ânimo! Isso significa que não importa o caminho que você tomar, ele jamais será melhor ou pior o que o que você está vivendo hoje, porque todos os caminhos são tortuosos. O que define o sucesso é o modo com que você decide passar pelas situações que as suas convicções lhe trouxeram, não a quantidade de desafios.

Ouse crer.

É por isso que eu estou te convidando a crer na soberania de Deus. O Senhor Jesus nos disse que estaria sempre conosco, porque pensamos que, de repente, Ele mudou de ideia? Creio que o Pai deseja que sejamos filhos ousados e corajosos em enfrentar os nossos problemas (que são absurdamente passageiros)  para que a Sua glória seja vista através das nossas vidas. Não há nada mais impressionante na terra do que a Força de Deus resplandecendo através da fraqueza do homem. Não tenha medo de errar. 

Que a vontade do Pai seja feita, e que eu esteja lá para testemunhar isso.

29 de novembro de 2018 0 comentário
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Eu preciso ser sincera, é difícil estabelecer regras do lado de cá. Por exemplo, sei que prometi fazer devocionais toda segunda, mas aqui estou eu pronta pra simplesmente escrever sobre como tenho me sentido um extraterrestre. Espero, sinceramente, que isso de alguma forma toque o seu coração ou gere aquele sentimento que todos amamos de “puxa vida, não estou só”, já que é isso que eu tenho pra oferecer pra você hoje. Esse poderia ser um texto sobre como nós, cristãos, nos sentimos deslocados por não pertencermos a esse mundo e todas essas coisas mas… Me desculpe, não é sobre isso. Muito do que eu escrevo carrega um pedaço da minha alma, e já quero deixar isso claro: não estou pedindo conselhos. Eu realmente espero que isso não soe tão rude quando pareceu enquanto eu escrevi mas, enfim… Não foi rude. Talvez, escrever esse tipo de coisa seja um grito desesperado do meu coração de saber que eu não estou sozinha nisso.

Okay.

Cá nos encontramos, mais uma vez, enquanto você me lê e eu tento me fazer entender. Quero dizer que essa tem sido uma das grandes batalhas que eu tenho enfrentado. Confesso que ando um tanto quanto cansada de perceber os seres humanos todos olhando para mim do mesmo modo que cães inclinam a cabeça quando não entendem alguma coisa enquanto tentam me entender. Enquanto tentam entender o que eu penso, o que eu ouço, o que digo, o que sou. Ando farta de precisar dar explicações. Não por conta das pessoas, não é esse o ponto. O que me deixa maluca é perceber que eu não vejo ninguém precisando explicar o que vive, enquanto eu preciso explicar por que gosto do meu cabelo curto.

29 de janeiro de 2018 50 comentários
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Sinto constantemente uma necessidade absurda de sumir. Não é tão triste quanto seus pensamentos fizeram soar. Na verdade, estou cansada de ver as pessoas olhando pra essa parte de mim com “pena”. Como amiga, me sinto obrigada a te dar algumas satisfações acerca do que realmente acontece quando me afasto de tudo, ou de você, ou seja lá do que mais eu me afastar. Talvez grande parte das pessoas que abraçam a solidão não olhem pra ela com os mesmos olhos que eu (e talvez essa grande parte precise realmente de ajuda psicológica, atenção especial e abraços quentinhos).

Meus vinte e poucos anos de vida me fizeram perceber que a maioria das pessoas que conhecem esse meu lado “obscuro” não sabem lidar muito bem com ele… Existem sim os que são tendenciosos à depressão, mas eu nunca me senti parte desse grupo. Existem sim aqueles que se afastam dos amigos e precisam ser resgatados porque ficam mais fracos, mas esse nunca foi o meu caso.

Dois parágrafos pra “ajudar você a lidar”:

Em verdade, em verdade eu te digo: não preciso que você me resgate, mas que me ame e respeite. Não preciso que corra atrás de mim e diga “estou preocupado com você, está tudo bem?” (e, quero deixar claro, que acho isso lindo demais… não se sinta culpado se acaso se sentir assim), só preciso que diga “eu estarei aqui quando voltar”. Tenho duas grandes amigas que aprenderam a lidar com isso de um jeito incrível, gostaria de compartilhar: elas mandam mensagens dizendo “estou com saudades”; “estamos juntas, conectadas”; e mandam áudios engraçados de modo completamente aleatório. É simples! O amor, carinho e consideração que temos umas com as outras nunca muda.

A solidão sempre foi associada à tristeza e acredito que isso aconteceu pelo simples fato de que desenvolvemos uma capacidade desconhecida de ignorar nossa essência. Os momentos à sós nos expõem pura e simplesmente a quem somos de verdade (e algumas pessoas estão aprendendo a aceitar seus verdadeiros “eus”). Mas aqui é diferente, por isso sinto que preciso te explicar.

Eu não escolho sumir: eu preciso.

Não sei se você já teve a sensação se estar no meio de muitas pessoas e, de repente, só desejar estar assentado na sua cama existindo. Eu amo me assentar na minha cama e simplesmente existir! Eu amo colocar minhas músicas favoritas e dançá-las com Deus. Eu amo apagar as luzes à noite, deixar a janela aberta e pensar como a luz tem mais influência sob a escuridão do que o contrário. Amo criar teorias com o Pai que simplesmente me esquecerei em cinco minutos ou fazer planos impossíveis e mirabolantes que não fazem sentido algum. Ruído demais, gente demais e informação demais são coisas que me sufocam.

A solitude me traz alegria. É importante reconhecer que existem pessoas que precisam do contato social pra manter seus relacionamentos, e que olham para a solitude com olhos de solidão. Não há nada errado em não querer estar só, assim como o mesmo se aplica ao fato de desejar isso. A solidão dói, mas a solitude traz paz. Sumir me rejuvenesce, me traz vida, me faz crescer!

Há dias que esses momentos duram só alguns minutos, ou horas. Há momentos que o meu desejo de estar só passa do período de um dia (e houveram situações que isso durou semanas!), mas eu sempre volto. Sempre volto e o tempo longe não esmorece nada em mim: eu continuo a amar com a mesma intensidade.

Eu voltarei, sempre volto (só esteja lá quando esse momento chegar).

15 de maio de 2017 35 comentários
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Foi como um click.
Infelizmente não tive esse “click” na primeira vez que ouvi essa frase. Precisei ouvir e ler isso uma centena de vezes, até finalmente entender.

Ela foi escrita por Stephen Chbosky, autor de “The Perks of Being a Wallflower” ou (As Vantagens de Ser Invisível, em nossa singela versão em português). Talvez você seja como eu, já ouviu essa frase mais de uma vez por aí e nunca parou para pensar no significado profundo que ela carrega.

À começar pelo assunto que mais evito falar na vida: a vida sentimental. Eu sei, eu sei. No fundo, todo mundo ama e odeia falar sobre esse tipo de amor. Que se manifeste quem nunca teve o coração partido em mil pedacinhos. Quem nunca ouviu da sua melhor amiga: “Relaxa, ele não te merece.” Ou do seu amigo “Putz cara, tem outras meninas por aí…” Bem, se você não, eu já.

Quando alguém vira para você e diz que ele/ela não te merece, o que você faz? “É, você tem razão.”, você se esforça para concordar. Mas será que é isso mesmo que seu coração está pensando?

Com certeza não.

Quando você se abre para a possibilidade de um relacionamento de amor, – e vamos mudar o foco, não precisamos falar sobre sentimentos de paixão. – Talvez um relacionamento de uma nova amizade, ou até uma velha amizade, com seus irmãos, com seus pais ou qualquer pessoa próxima à você que você abre seu coração para amar e, como bons humanos que somos, receber amor em troca.

O que acontece quando o amor não é correspondido? Aquele amor no qual você entregou um pedaço de si, por achar que merecia mais amor em troca? É como se nossa mente desse um nó.

Voltemos para a frase inicial deste texto: Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos.

Volte, leia de novo. Consegue captar a verdade e a profundidade disso?

Bem, você se abriu para um amor que você achou que merecia, ou seja, aquela pessoa sim, poderia suprir o que você considera o “ideal” pra você. Como se todo valor que você pensa ter, pudesse ser “pago” por esse outro alguém. Você aceitou o que você pensa merecer.

Se um garoto não corresponde ao seu sentimento: “Acho que não sou boa o suficiente para ele.” Se você se declara para uma garota e ela só te vê como amigo: “Ela prefere caras melhores do que eu, ela nunca me amaria.” Se sua melhor amiga, de alguma forma, te substitui: “Eu nasci pra ser solitária mesmo, vai ser sempre assim.”

Para algumas pessoas, é muito difícil se abrir para qualquer tipo de relacionamento de afeto mais íntimo e quando isso acontece, é como uma vitória dentro de si. Em contrapartida, quando o afeto não é correspondido, quando o pedaço do coração que foi entregue, não é preenchido com o coração do outro que o recebeu, o que há dentro e si é uma grande derrota e sentimento de humilhação.

Isso também explica porque tantas pessoas se encontram em relacionamentos abusivos, más companhias, amizades erradas, lares destruídos, ambientes tóxicos e não movem um dedo para sair disso ou mudar a situação: Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos.

Nosso valor, a forma como nos enxergamos, parece diminuir cada vez que as rachaduras vão aparecendo em nossa alma. Cada vez mais, entregamos nossos tesouros à pessoas que não cuidarão deles com o devido apreço e sabendo o quão preciosos eles realmente são. Por quê? Ora, porque é isso que achamos que merecemos.

Você se torna vulnerável a partir do momento que se sente confortável.

“Será que finalmente encontrei um lar?” Palpita seu velho coração.
Aquilo que você vê em si mesmo, determina o quanto e/ou para quem ou o quê você se entrega. Aquilo que você, inconscientemente acha que merece, determina o que você aceita e o que você entrega.

Vou dizer o que você não merece:
Você não merece achar que não é boa o suficiente para alguém;
Você não merece se sentir diminuído;
Você não merece enterrar os seus talentos por uma crítica;
Você não merece os cortes no seu braço;
Você não merece ser assediada nem ser tratada com machismo;
Você não merece entregar seu corpo porque ele disse que você “já não vale nada mesmo”;
Você não merece se sentir humilhado por alguém que depositou toda arrogância em você;
Você não merece o bullying;
Você não merece um relacionamento abusivo.

Um exemplo inverso: Na série 13 Reasons Why, Hannah Baker não aceita o amor de Clay por não se achar merecedora dele. A personagem foi tão ferida por outros rapazes que a desvalorizaram, que ela mesma não acreditava mais em seu valor. Sabemos muito bem como essa história acabou.

Hoje, com muito carinho a respeito de si mesma(o) observe o tipo de amor que você tem aceitado para seu coração. Observe se isso é realmente amor ou uma armadilha da sua própria mente e do seu coração que, por algum motivo, te condenam. Observe se você não está em um relacionamento (amizade, namoro, profissional…) que tira sua identidade. Tente se livrar das bagagens que diminuem seu real valor. E se, ainda assim, seu coração te condenar, lembre-se que Deus é maior que seu coração. (1 João 3:20)

xx Luma.

8 de maio de 2017 13 comentários
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“Provado fui com fogo
Mas aonde está o ouro?
Sei, somente uma fé que se abalou
Inabalável é.”

  • Outono – Os Arrais

É, eu vejo sentido demais no que o Paul Washer fala sobre Jesus, no que o Ari Jr fala sobre a igreja, no que o Ed René fala sobre salvação, no enorme coração dos meus pastores e no que o Zé Bruno fala sobre Deus. Tive a oportunidade de conhecer algumas pessoas que vivem isso de forma tão inteira, e inspiram muito. O coração da Zoe me inspira demais. E a intensidade que o Dudu vive tudo isso? A verdade que o Ton carrega, a sinceridade do Pradella, a humildade do Ferreira. Estou falando de pessoas “conhecidas” porque sei que você pode ter as mesmas impressões e inspirações. Mas também vejo muito sentido na sensibilidade do Lenine de reconhecer que pouco sabe e se manter aberto para o novo. Na mesma percepção do Criolo, na imensidão dos planetas narrada pelo Lucas Silveira, me identifico com as noias do Gustavo Bertoni. Considero as doideras do Caio Fábio e aprendo demais com o Fábio de Melo.

Vejo sinceridade em todos eles. Assim como eu também sou sincero. Sou cristão, acredito em Deus, já tive e já vivi momentos que considero sobrenaturais. Aliás, apesar da pouca idade, já vivi e vi muita coisa, e sei que é só o começo. Mas também sou sincero para reconhecer que nada disso é muito conclusivo. Estaria mentindo se dissesse o contrário. E não posso mentir, principalmente para eu mesmo.

A bíblia é, de longe, o melhor livro que eu já li na vida, nos prepara para a vida, assim como a fé cristã em sua essência. Talvez hoje eu entenda Tomé, no lugar dele eu também seria um incrédulo. Talvez hoje eu entenda Pedro, no lugar dele eu também trairia. Não mereço a fé que ousa em encher meu interior todos os dias, mas sei que a recebo de graça e isso é DOIDO. Talvez eu tenha encontrado o Divino nessa loucura toda.

Perdido na Imensidão

Tudo isso pode parecer um caos infernal, e é. Mas é melhor do que viver uma mentira, ostentar uma espiritualidade inexistente e ser o que não sou. Talvez, a melhor forma de lidar com isso seja escrevendo e dividindo isso com alguém, como fiz com a Roberta. Aliás, depois de conversar com algumas pessoas e ver que passam pelas mesmas angústias caladas, sinto que não estou só nessa. Nem você.

Quanto mais sei, mais me acho ignorante perto dessa imensidão. E eu sei que ao mesmo tempo que muita coisa faz sentido, tudo parece tão incoerente. Mas não existe contrariedade quando vivemos a vida intensamente e melhoramos a vida do próximo com tudo que somos e podemos, logo, não existe desculpa para uma vida egoísta. Se a sua vida se baseia só no que você é, tem e “conquistou”, meus pêsames.

Uma das pessoas que leu esse texto antes dele vir parar aqui, também me falou uma verdade:

O caos é um ótimo lugar, é como o deserto, cheio de inseguranças e incertezas. Mas é onde mais buscamos aprender e onde mais conhecemos coisas que a “estabilidade” não nos proporcionaria.

É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há.  De vez em quando, acho que o melhor jeito de lidar com isso é externando e dividindo isso com alguém, obrigado por ler.

Estamos juntos.

3 de março de 2017 16 comentários
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Oi! Aqui é a Luma novamente, como estão?
Eis um fato sobre mim: eu estou viciada em Grey’s Anatomy.

Agora pouco, eu acabei de assistir o terceiro episódio da terceira temporada. Esse texto contém spoilers desse episódio, mas não se preocupe, isso não vai te atrapalhar, caso você ainda não tenha chegado nessa parte da série.

Nesse episódio, uma garotinha chamada Megan (interpretada pela brilhante Abigail Breslin), chega ao hospital apenas para fazer saturas em diversos machucados abertos. Dr. Karev faz de tudo para cuidar de seus ferimentos, porém a menina diz que não precisa daquilo, afinal, ela é uma super heroína. Pois é. Megan afirma com toda certeza que uma pessoa pode ter, que ela não sente dor alguma. É claro que os médicos pensam que a garota precisa de acompanhamentos psicológicos. Ela faz de tudo para convencer Alex Karev de que ela é especial, que é “super”.

Conta até, que deixou que um garoto à espancasse com um taco de beisebol na região do estômago e ela não sentiu nada. Dr. Karev, preocupado, leva Megan para fazer um ultrassom e descobre que a garotinha está com hemorragia interna no abdome. Além disso, depois de uma bateria de exames, a descoberta do diagnóstico: Megan tinha uma doença cognitiva que realmente à impedia de sentir qualquer tipo dor. Isso fez com que a garota fizesse coisas além do que seu corpo poderia aguentar. Conclusão: Megan estava morrendo, precisava de uma cirurgia de urgência.

A importância da dor.

À caminho da sala de cirurgia, Dra. Bailey, a cirurgiã residente que iria opera-la, disse uma frase na qual inspirou esse texto: Essa garota deveria sair no jornal, para as pessoas entenderem a importância da dor.

Eu não consegui tirar essa frase da cabeça. Foi como se uma luz se acendesse e me dissesse: “Entendeu agora???”
Comecei a pensar nas dores de nossa alma. Na angústia de nosso espírito. Em nossa mente esgotada. No coração partido.

Nesse momento, eu agradeci a Deus pela dor. Agradeci por minha aflições. Agradeci por ter me criado alguém que sente as coisas com profundidade.
Deus nos deu o privilégio de ter sintomas para saber quando nosso espírito está morrendo. De colocar em nosso peito, sinais de uma alma desesperada. O Pai, nos fez a bondade, de colocar a dor aguda em nosso coração quando precisamos de arrependimento, pra que assim, os sintomas de nosso espírito doente fossem detectados, tratados e curados por Seu Espírito.

A dor, a aflição, a angústia, são os sintomas dados pelo Criador, para que possamos buscar o grande médico das almas: Jesus.

A presença de Deus é a sala de emergência em que corremos quando estamos com o coração quebrado. A Palavra é como o cirurgião que opera nossa mente cansada e que devolve o oxigênio aos nossos pulmões. Jesus é nosso eterno pós operatório.

Eu sei. Todo mundo já pediu à Deus que a dor se fosse. O próprio Cristo, tomado por uma angústia tamanha, que atingiu seu físico, pediu a Seu Pai que o cálice da dor fosse afastado Dele. Mas em seguida, pediu que a vontade do Senhor fosse feita e aceitou o ultimato do sofrimento. E, bem… Ele venceu.

Hoje, peço à Deus que abra meu peito com seu bisturi, e com sua Palavra, que é como espada que penetra na alma, opere o meu coração segundo Sua própria vontade, mesmo que sem anestesia. Não se esqueça: você tem consigo o Consolador. Você tem aquele que cicatriza as feridas e retira os grande tumores de nosso espírito. Você tem aquele que cura.

E lembre-se: cicatrizes representam feridas curadas.

Com o Amor, Luma.

23 de janeiro de 2017 20 comentários
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Uma característica que eu tenho buscado em Deus é a transparência com Ele sobre quem sou, mas não como se isso fosse apenas algo preso nas paredes do meu quarto: eu realmente gostaria que todos percebessem isso.

Eu gostaria que todos percebessem que eu falho. Gostaria que todos percebessem que eu também estou em construção e na quantidade de coisas que ainda preciso aprender. Aliás, se tem uma coisa que eu tenho aprendido nos últimos tempos é que todos (t-o-d-o-s) os seres humanos são obras inacabadas do Pai.

Comparar pra que?

Vivi anos da minha vida pensando que a vida dos outros era muito melhor do que a minha. A pessoas definitivamente pareciam muito mais felizes por terem seus mil likes nas fotos ou, antigamente, com seus inúmeros depoimentos de amigos no perfil do orkut. Elas pareciam amadas pelas pessoas e, durante anos, esse foi o desejo do meu coração: a aprovação que vem dos outros. Quando conheci Jesus e conheci pessoas que eu julgava que conheciam Jesus, não foi diferente.

É natural que tenhamos nossos exemplos de pessoas que se mostram incrivelmente apaixonadas pelo evangelho baseados nas coisas que essas pessoas fazem e dizem. Não julgo isso errado, de maneira alguma, porque mesmo Paulo dizia para que todos fossem seus imitadores como ele próprio era de Cristo (1Cor 11:1), mas é preciso parar para analisar o tipo de expectativa que você coloca sob os ombros de pessoas que você não conhece.

O iceberg.

O nossos olhos não veem absolutamente nada, e a imagem de um iceberg demonstra isso de modo perfeito. Eu não sei se você já parou pra pesquisar, mas um iceberg é, geralmente, três vezes maior debaixo d’água se comparado à parte visível, que fica em cima dela. O que você vê das pessoas é a parte visível.

Conhecer alguns “heróis” e conviver com “pessoas ideais” me fez perceber que as figuras indestrutíveis que eu pintava na minha cabeça criminosa eram definitivamente desastrosas. Eu sei que você já ouviu isso muitas vezes, mas ninguém (e eu disse ninguém mesmo) é perfeito. Se a sua expectativa foi quebrada, algum dia, em relação a alguém que você admira a responsabilidade disso é completamente sua.

A minha intenção aqui é levar você a refletir sobre o que você espera das pessoas e também sobre o que você pensa que as pessoas esperam de você.

O que estou prestes a dizer pode soar cruel para alguns, mas a verdade nem sempre é agradável aos nossos ouvidos: você é responsável por tudo na sua vida. Isso significa que as decepções e frustrações entram junto nisso também.

Quando você espera das pessoas o que você montou na sua cabeça que elas fariam/seriam ou a reciprocidade das suas ações você só está demonstrando que ainda é refém de si mesmo. Isso é muito, muito duro. Mas é tão real quanto a capacidade que nos foi dada de colocar isso em palavras.

Como vencer isso? Foi a pergunta que me fiz quando tomei o grande choque ao ter os olhos abertos para tal verdade.

Suas expectativas não podem estar presas aqui: elas devem estar completamente na eternidade. Esperar das pessoas o que você é ou o que faria vai frustrar você, não tem como evitar. Dê sem esperar receber de volta. Reconheça, sem esperar ser reconhecido. Todas as suas esperanças devem estar no seu Criador. Ele nunca decepciona (sei do que estou falando).

4 de janeiro de 2017 15 comentários
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A expressão que eu mais tenho escutado nos últimos tempos é: como você amadureceu. Eu não sei se isso tem a ver com essa coisa que costumeiramente chamamos de “crise dos 20” mas, se for, a minha chegou atrasada. Meus pais ficaram assustados. Meus amigos ficaram assustados. E eu? Bem, eu não estava nem aí. Simplesmente aconteceu.

Esse processo não foi indolor, e é sobre ele que eu quero conversar.

Sabe quando dizemos que uma criança que tem tudo é mimada? Essa expressão “mimada”, na minha cabeça, me faz lembrar de uma pessoa que não conhece a vida. Que foi vítima do cuidado excessivo dos seus pais, que vive dentro da própria bolha de realidade simulada.

Como alguém que tem tudo poderia estar interessado em conhecer a dor do outro? Isso seria um incômodo. Como alguém que tem tudo poderia deixar o que tem para não ter nada? Isso seria um incômodo muito maior. O conforto nos engole e, submersos por essa âncora em lugar algum, não existe crescimento. Tenho me deparado, cada dia mais, com obesos. Não física, mas espiritualmente.

Obesidade espiritual?

O obeso espiritual é aquele que só está preocupado em receber. Que exige que as pessoas cuidem dele, porque prefere depositar seu fracasso nas costas dos outros ao invés de assumir a autoresponsabilidade pelas coisas que acontecem ao seu redor (sejam elas boas ou não). O obeso não discipula, não alimenta, não caminha. O obeso espiritual encontra um lugar confortável que não o desafie a grandes coisas e faz morada lá. Ele não exercita sua fé, muito menos busca caminhar com as pessoas. Sentado no sofá/casa pede para que os outros coloquem as coisas em suas mãos e, quando se depara com situações difíceis, insistentemente coloca a culpa na igreja, no líder, no vento.

Geralmente o cristianismo vivido por eles está baseado em buscar intimidade com Deus em descobrir a vontade do Pai para todas as áreas da sua vida. Quase nunca vai além disso. Não é a comunhão, não é o outro, não é o mundo. É ele, e somente ele (o que nos faz lembrar muito as crianças mimadas do começo desse texto)

O amadurecimento não é indolor.

Pessoas muito maduras, muito sábias e muito inteligentes não o são do nada. Em algum momento da vida, essas pessoas levantaram dos seus sofás e amaram pessoas que as machucaram. Em algum momento da vida, perderam coisas muito importantes e abriram mão de muitas outras. Talvez as mais sábias sejam aquelas que chegam muitas e muitas vezes ao pó.

Você pode chamar a essas pessoas de masoquistas, mas eu prefiro admirá-las.

Por qual motivo devemos tememos o sofrimento? Você já parou para analisar os bons frutos que ele produz? O próprio Jesus, na parábola da videira (João 15:1-5), nos diz que seríamos podados para darmos mais frutos ainda. Por que tanto medo da poda? Jesus me já me disse inúmeras vezes que sou corajosa, eu só demorei muito tempo pra entender o porquê.

Quando você experimenta o que é não ter nada além do amor incontrolável de Deus, toma consciência de que depende Dele. Toma consciência de que precisa levantar e ser a mudança que o seu mundo tanto necessita. Toma consciência de que se não tivesse se exposto a situações desafiadoras no passado, não estaria um terço à frente do que está hoje.

Afinal, o texto diz “aproximem-se de Deus e Ele se aproximará de vocês” (Tiago 4:8).

Se você parar aí, eu fico triste pelo que você poderia ter sido e não foi (e se eu fico assim, imagina seu Pai).

16 de dezembro de 2016 17 comentários
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Faço parte do time de pessoas que, quando passam por um momento difícil, aproveitam esse momento difícil. Infelizmente (ou felizmente?) não consigo esconder os meus sentimentos. Choro mesmo, rio mesmo, fico brava mesmo.

Adele para todas as situações.

Lembro do dia que terminei meu relacionamento: coloquei Adele pra tocar, colei as costas na parede, escorreguei até o chão e fiz tudo isso chorando de soluçar pra valer. Se tem uma coisa que tenho dentro de mim é que mascarar as coisas que sentimos é perigoso demais.

A nossa geração está acostumada a compartilhar coisa boa o tempo inteiro, chega a ser engraçado. As pessoas parecem indestrutíveis, inabaláveis e felizes o tempo todo. Deixa eu te contar um negócio: a maioria dessas pessoas morre de vontade de colar as costas na parede, escorregar e chorar de soluçar ouvindo Adele nos momentos difíceis.

Pode ser uma realidade difícil de lidar, mas nesses momentos eu gosto de olhar pra Pedro. Tão original, tão ousado. Correu pra arrancar a orelha do soldado com a espada, se jogou do barco pra encontrar Jesus, negou a Ele. Pedro era verdadeiro e intenso. Pecador como eu, pecador como você.

9 de novembro de 2016 11 comentários
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Você que foi, é, e você que ainda há de vir: leia essas palavras com muito amor.

Eu sou complicada, sim. Sumo, exijo amor, me cobro demais. Tenho aprendido muito o que significa, de fato, a amizade nos últimos tempos. Não sei em qual parte da minha história aconteceu, mas eu me fechei pra você. Acho que meu coração, de uma forma ou de outra, acabou querendo se proteger demais de decepções que nem chegaram a acontecer. Essa coisa de sofrer por antecipação sempre me prejudicou demais.

Quando eu via que você se divertia sem mim, achava melhor me afastar e evitar de estragar toda a sua alegria com meus dramas. Mesmo perto de você eu me sentia sozinha. Nunca fui boa com essa coisa de intimidade, preciso confessar. Não sabia abrir a porta do meu quarto e te apresentar, passo a passo, o lugar de cada coisa e como eu me sentia a respeito de cada uma dessas coisas. Preferia ouvir você e te ajudar com a pouca sabedoria que me restava. Por trás de alguém que dá muitos conselhos existe alguém que já foi muito ferido, certo? De que maneira se adquiririam experiência e conhecimento suficientes para decidir “um caminho melhor”? Voltando.

Escrever isso não tá sendo fácil, preciso admitir. Você já deve ter percebido que eu não corro muito atrás de você, e esse é outro grande problema. Não é que eu não me interesse pela sua vida ou te ame pouco. Definitivamente eu não te amo pouco. Acho que tá mais ligado com essa dificuldade de: se você me contar os seus segredos, eu terei de te contar os meus e isso não é nada fácil por aqui.

Escondo os meus sentimentos até de mim.

Preciso te dizer que não é fácil me ter por perto. Por favor não leia isso como se eu fosse prepotente, por favor! Eu tenho trabalhado isso dia após dia, não tem sido fácil, mas eu cansei de me sentir só. Cansei de não compartilhar segredos, de não falar o que sinto. Eu posso ver a mãozinha de Deus colocando pessoas como você no meu caminho. Minha amizade com Papai é outra história, nesse texto estou falando é com você mesmo.

Se você me permitir, quero aproveitar a oportunidade de hoje pra te pedir uma coisa muito importante: não desista de mim. Eu tô tentando mudar (se você olhar pro meu eu de uns 6 meses atrás pode perceber que eu mudei mesmo). Não pense que te amo pouco, porque te amo muito. Eu tô tentando melhorar, me ajuda?

20 de julho de 2016 18 comentários
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