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A vontade dos dedos que aqui lhes escreve é dizer: “Cabeçuda, quando é que você vai encarar que a verdadeira mordoma do seu tempo é você mesma? Pare de ser irresponsável.” Há muito ouço sobre esse assunto. Já sei que existe o Chronos (que é o tempo o qual vivemos) e o Kairós (que é o tempo de Deus). Já sei que eles não são a mesma coisa. Já sei que um dia do nosso tempo podem ser mil anos do tempo de Deus – e vice versa. Já ouvi sobre todas essas coisas e a que mais me assusta é perceber que eu – que sou realmente irresponsável – sou quem decide o que fazer com as 24 horas do dia novo que me é entregue todo santo dia a partir da 00:00h.

A medida igualitária aplicada a todos.

Houve uma época em que olhar para o relógio e perceber que cada minuto que ficava no passado não poderia voltar para ser revivido ou consertado me fazia encarar o tempo com medo. Ele é irreversível e a maneira que eu cuido dele apontará para diferentes circunstâncias das quais eu mesma me submeterei mas, ainda assim, o Senhor decidiu que eu era responsável o suficiente para administrar minhas 24h (e Ele, definitivamente, acredita mais em mim do que eu mesma). Por que?

A Criação possui um ritmo. Deus cria céus, terra, animais, o Homem, a pausa. Todos nós quando postos no mundo vivemos, ainda que rejeitemos, no ritmo dessa criação. O Sol nasce, e em seguida se põe. No começo do ano vivemos o verão e, na metade dele, o inverno. São segundos, minutos, dias, meses, anos e eras. Estamos submetidos às estações. Não podemos fugir dos cabelos brancos ou das linhas de expressão que a idade nos acrescenta. Não podemos ignorar que as batidas do nosso coração seguem um ritmo, e assim também acontece com a respiração: inspira, expira. Estamos inseridos no tempo e o tempo em nós mesmos.

“Quando o tempo é dessacralizado, a vida é dessacralizada.”

Eugene Peterson

Releia essa frase.

Eu espero que ela atinja você com o mesmo impacto que me atingiu também, porque entender isso pode fazer você se arrepender de muita coisa – e arrependendo-se dessas coisas pode ser que eu consiga incentivar você a tomar um posicionamento acerca de muitas outras que ainda estão por vir.

O problema da pressa (e do oposto dela).

A pressa rouba de nós o prazer de viver o presente. Gosto de pensar que o presente se chama “presente” por um motivo muito conveniente. It’s a gift! Querer que as coisas andem depressa demais pode nos levar à loucura, e para perceber isso basta pensar no quanto não faz sentido vivermos no vício de querer que as coisas aconteçam depressa se, quando o tempo de que elas acontecerem chegar, estaremos novamente com pressa para que muitas outras aconteçam. Você já parou pra perceber como as pessoas têm ficado apavoradas dizendo frases como “nossa, como o dia passou depressa!” – a frequência em que essas palavras saem da sua própria boca?

E contrapartida, a procrastinação (palavra da qual me tornei escrava e decidi encarar como pecado pra me ajudar a tomar vergonha na cara) também rouba o presente. A inatividade me torna inútil. Ela nada contra a maré do desenvolvimento da minha obediência, quando prefiro obedecer à falta de vontade de seguir em frente e adio as tarefas que o meu dia prometeu cumprir. Sentir-me inútil me tira do sério.

O vídeo da semana passada fala disso. O termo “semana passada” pode soar ultrapassado pra você, já que estamos vivendo um tempo de bastante urgência em todos os lugares que estamos inseridos. Tudo bem. Estou sendo intencional nisso. Quero fazer você pensar sobre como andamos ansiosos por saber quais serão os nossos próximos assuntos, quando não resolvemos ainda, sequer, os que temos nas nossas mãos.

Pense sobre isso. Viva essas verdades. Respeite o tempo (o seu, e o do seu Pai também).

22 de janeiro de 2018 5 comentários
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