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Dificuldades

Nada começa a doer sem motivo, assim como o pecado. É claro que não estou falando de dor física, todo aquele que já chutou a quina de algum lugar há de concordar comigo. Mas você não “peca do nada”, pelo contrário. Você alimenta o pecado com pensamentos, o permite crescer em seu coração até que ele, então, aconteça. O perigo que existe em manter-se ignorante acerca do que acontece no seu coração, assim como o pecado, pode doer bastante lá na frente. Sim, a bíblia nos apresenta dois modos de aprender: com os erros dos outros, ou passando por eles.

Vou permitir que você aprenda ouvindo os meus erros.

Desde o meu nascimento eu precisei passar por eles, os erros. Para aprender que o fogo queima, ao invés de escutar minha mãe precisei tocar nele (e doeu bastante). Hoje entendo que meter qualquer parte do seu corpo em qualquer tipo de chama não é bom. Mas, o maior erro que eu já cometi foi permanecer ignorante sobre o que o meu coração estava realmente sentindo. Estou sendo vulnerável com você e expondo que estou passando por um dos momentos mais complicados da minha caminhada com Deus até então.

Foram anos “fingindo que estava tudo bem”. Foram meses tentando convencer a mim e às pessoas que estava tudo maravilhoso. Foram inúmeras idas ao lugar secreto, depois de passar por uma leve crise, para dizer ao Papai “obrigada por ter me curado disso” sem sequer conversar com Ele sobre esse “isso”.

Passei muito tempo da minha vida varrendo a casa e colocando a poeira debaixo do tapete ao invés de pegá-la com uma pá e leva-la para fora. Tantas foram as vezes que fiz isso que o volume de sujeira formou uma elevação no meio da sala até que, num dia “simplesmente curado”, tropecei no volume.

Por não olhar para dentro, não entendi como as minhas emoções funcionavam. Por ignorar o modo com o qual elas funcionavam, não soube usar as estratégias capazes de impedi-las de tomar conta do meu ser. Não tornei minhas emoções cativas, não as disciplinei com a Palavra da vida. Caminhei como uma pessoa completamente curada quando, na verdade, sequer permiti que Papai me curasse de verdade.

 

The one who’s torn me apart.

Minha alma começou a ficar abatida, e esse foi o primeiro sinal. Estava tudo indo muito, muito bem! Mas não conseguia entender porque as pessoas olhavam para mim e tornavam a perguntar repetidamente “está tudo realmente bem?”. Será que estava tudo realmente bem? Perguntei ao Senhor o que levou minha alma a ficar abatida e encontrei uma “possibilidade”. Apresentei a Ele essa “possibilidade” e, foi aí, que Ele levantou o tapete e mostrou todas as dores escondidas. Apresentei ao Papai um broto do meu jardim, Ele o puxou, e sua raíz era muito, muito profunda.

Analisando a dor, anatomicamente falando, ela produziu em mim vergonha.

Como isso cresceu tanto? Por que ainda está aqui? Como não pude enxergar uma coisa dessas antes? Eu só sabia chorar. Deparei-me com uma face escondida em mim que mostrava quem eu realmente era e ela não produziu em mim regozijo algum. Eu só sabia chegar aos pés do Papai e chorar. Aquilo doeu! Foram dias difíceis. Enquanto não me julguei completamente livre do peso da dor, não hesitei em apartá-lo de mim.

Se estava doendo, então eu deixaria doer. Se estava latente, permitiria latejar.

Mas houve um dia em que me acheguei diante do Senhor para, mais uma vez, pedir desculpas pelo acontecido. Acheguei-me, mais uma vez, coberta de vergonha e de reconhecimento das minhas limitações para desculpar-me ao Papai por ter sido tão inconsequente, até que experimentei algo novo: a alegria do perdão. O regozijo em descobrir que não há pelo que desculpar-se, pois o Amor pagou pela multidão de erros.

Experimentar o perdão mudou tudo. Tem mudado tudo.

Descobri que a cura não acontece como em um passe de mágica, mas que ela é um processo. Quando nos submetemos a esse processo observando as mãos do Criador trabalhando para que uma versão forte e surpreendente de nós mesmos seja revelada, entendemos que Ele está sempre fazendo algo novo. Descobri que ser Filha não é colecionar, somente, momentos caminhando por bosques floridos de mãos dadas com o Papai, mas caminhar pelo vale da sombra da morte ancorada pelas mãos do Senhor. Percebi como os vales nos equipam para seguirmos a jornada mais fortes. Entendi que Papai, mesmo nos momentos de dor, sente prazer em nós.

Though you slay me
Yet I will praise you
Though you take from me
I will bless your name
Though you ruin me
Still I will worship
Sing a song to the one who’s all I need

Though tonight I’m crying out
Let this cup pass from me now
You’re still all that I need
You’re enough for me

 

25 de setembro de 2017 24 comentários
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Pensar que os olhos do Senhor estavam sobre mim quando eu ainda era uma substância sem forma me constrange muito. Não existe ninguém no mundo, e você pode investigar, que conheça você tão bem quanto Ele conhece. Tento imaginar o dia em que os Seus olhos estavam sobre mim quando estava no ventre daquela que Ele escolheu pra que eu pudesse chamar de mãe e não consigo conter as lágrimas.

O Senhor pensou em tudo. No dia, na hora, nas mãos do médico, na família, na geração.

Posso eu duvidar que absolutamente todas as coisas estão debaixo do Seu controle? Uma coisa dessas é impensável. E quando me dou conta de que os Seus olhos estão sobre mim nesse exato momento, tenho outro encontro exuberante com o Seu amor incompreensível. Fecho os meus olhos e a única coisa que sei fazer é sorrir. Quando Ele pede para que descansemos nos seus braços, eu acredito que é absolutamente o que Ele quer que saibamos: tudo está sob o Seu controle. Ele chama cada uma de suas estrelas pelo nome e as abraça. E o abraço as deixa perto do coração. E, de repente, de perto passamos a estar dentro.

Gosto de imaginar a gargalhada do Senhor quando meu modo exagerado de encarar coisas simples toma conta de mim – confesso que gosto de fazer um drama só de imaginar essa possibilidade. A verdade é que, no fundo, essa certeza de que Deus está 100% presente em todos os momentos da vida dos seus filhos e já sabe de todas as coisas antes mesmo da fundação do mundo me toma e não me desampara.

Ele é.

Paz em meio ao caos. Graça imerecida. Misericórdia ao culpado. Pão ao que tem fome. Ele é suficiente e não existe nada maior – nem mais profundo ou incompreensível – que o Seu amor. Ele ouve. Ele vive, e reina! Não existe palavra dita por boca humana que seja maior que a palavra viva que desceu dos céus. Não existe enfermidade maior que a vida eterna que nos foi dada (e dada de graça). Não existe solidão, nem dor. Ele oferece o que é.

Só quero estar onde Ele quer que eu esteja, fazendo o que precisa ser feito e no tempo em precisa ser feito e, o mais engraçado de tudo, é que até esse desejo já foi suprido nos lugares celestiais. A verdade é que até quando você anda pelos caminhos errados, e ainda que não peça a sua permissão para andar por esses caminhos… Ainda ali ele está a segurar a sua mão.

Ainda que não saibamos reconhecer a sua voz com a clareza que Ele mesmo deseja, Ele continua com Seus olhos sobre os seus. E quando estamos cansados e desanimados, quebrados e destruídos jamais estamos desamparados.

Ele esta 100% presente, então não peça que Ele venha. Peça para que ele abra os seus olhos e se revele.

Insista, não desista.

13 de julho de 2017 26 comentários
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A expressão que eu mais tenho escutado nos últimos tempos é: como você amadureceu. Eu não sei se isso tem a ver com essa coisa que costumeiramente chamamos de “crise dos 20” mas, se for, a minha chegou atrasada. Meus pais ficaram assustados. Meus amigos ficaram assustados. E eu? Bem, eu não estava nem aí. Simplesmente aconteceu.

Esse processo não foi indolor, e é sobre ele que eu quero conversar.

Sabe quando dizemos que uma criança que tem tudo é mimada? Essa expressão “mimada”, na minha cabeça, me faz lembrar de uma pessoa que não conhece a vida. Que foi vítima do cuidado excessivo dos seus pais, que vive dentro da própria bolha de realidade simulada.

Como alguém que tem tudo poderia estar interessado em conhecer a dor do outro? Isso seria um incômodo. Como alguém que tem tudo poderia deixar o que tem para não ter nada? Isso seria um incômodo muito maior. O conforto nos engole e, submersos por essa âncora em lugar algum, não existe crescimento. Tenho me deparado, cada dia mais, com obesos. Não física, mas espiritualmente.

Obesidade espiritual?

O obeso espiritual é aquele que só está preocupado em receber. Que exige que as pessoas cuidem dele, porque prefere depositar seu fracasso nas costas dos outros ao invés de assumir a autoresponsabilidade pelas coisas que acontecem ao seu redor (sejam elas boas ou não). O obeso não discipula, não alimenta, não caminha. O obeso espiritual encontra um lugar confortável que não o desafie a grandes coisas e faz morada lá. Ele não exercita sua fé, muito menos busca caminhar com as pessoas. Sentado no sofá/casa pede para que os outros coloquem as coisas em suas mãos e, quando se depara com situações difíceis, insistentemente coloca a culpa na igreja, no líder, no vento.

Geralmente o cristianismo vivido por eles está baseado em buscar intimidade com Deus em descobrir a vontade do Pai para todas as áreas da sua vida. Quase nunca vai além disso. Não é a comunhão, não é o outro, não é o mundo. É ele, e somente ele (o que nos faz lembrar muito as crianças mimadas do começo desse texto)

O amadurecimento não é indolor.

Pessoas muito maduras, muito sábias e muito inteligentes não o são do nada. Em algum momento da vida, essas pessoas levantaram dos seus sofás e amaram pessoas que as machucaram. Em algum momento da vida, perderam coisas muito importantes e abriram mão de muitas outras. Talvez as mais sábias sejam aquelas que chegam muitas e muitas vezes ao pó.

Você pode chamar a essas pessoas de masoquistas, mas eu prefiro admirá-las.

Por qual motivo devemos tememos o sofrimento? Você já parou para analisar os bons frutos que ele produz? O próprio Jesus, na parábola da videira (João 15:1-5), nos diz que seríamos podados para darmos mais frutos ainda. Por que tanto medo da poda? Jesus me já me disse inúmeras vezes que sou corajosa, eu só demorei muito tempo pra entender o porquê.

Quando você experimenta o que é não ter nada além do amor incontrolável de Deus, toma consciência de que depende Dele. Toma consciência de que precisa levantar e ser a mudança que o seu mundo tanto necessita. Toma consciência de que se não tivesse se exposto a situações desafiadoras no passado, não estaria um terço à frente do que está hoje.

Afinal, o texto diz “aproximem-se de Deus e Ele se aproximará de vocês” (Tiago 4:8).

Se você parar aí, eu fico triste pelo que você poderia ter sido e não foi (e se eu fico assim, imagina seu Pai).

16 de dezembro de 2016 17 comentários
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A autoanálise é uma coisa que descobri há pouquíssimo tempo. Isso de parar, olhar pra dentro, perceber como você reage, mapear as reações que você detecta, prever como você e seu corpo reagirão mais pra frente… O jeito como a gente funciona é muito engraçado. Não parei pra ler artigo algum sobre coisa alguma, nem consultei a um psicólogo ou coisa parecida. O que acontece é que me dei conta de que algo muito esquisito andou acontecendo, e eu agradeço ao Papi porque Ele me mostrou que pode consertar.

Quando você passa por uma perda emocional, ignorar ou mostrar que isso não afeta a você pode te afetar (e muito!) mais pra frente. Foi tentando parecer o tempo inteiro uma mocinha forte que me dei conta de que sou mais frágil que um floquinho de neve, e foi na minha fraqueza que o Criador resolveu me aperfeiçoar. Ele me mostrou que uma perda precisa ser sentida, que não adianta nos mostrarmos fortes enquanto estamos fracos e que nada podemos sem Ele (mesmo quando você não entende muito bem o que acontece).

(Uma música que sempre toca nos meus momentos de refúgio ♥)

Eu sou uma obra em construção. De nada adianta me sentir pronta pra encarar as coisas desse mundo, se não dou ao dono do tempo o controle total dos meus dias. Não estou dizendo que você precisa se entregar a sua dor e colocar-se na posição de vítima de tudo, por favor não compreenda assim. Isso vai muito além… Percebi que foram poucas as vezes que corri, de fato, pra chorar nos braços do meu Pai e isso passou a repercutir hoje em dia. Percebi que, por muitas e muitas vezes, eu dizia “tá tudo bem, Deus está no controle” quando eu, na verdade, não tinha corrido pra Ele pra contar de verdade o que me fazia sofrer. Guardar os seus problemas só pra você pode te fazer muito mal mais pra frente.

Meu Pai tem me ensinado que colocá-lo no controle vai além de simplesmente dizer que Ele está no controle. Colocar Deus no controle é assumir, de uma vez por todas, que você não consegue carregar as suas pesadas cargas sozinho. Colocar Deus no controle é correr pro seu quarto (ou seja lá o lugar que você ora) e pedir desesperadamente pela sua ajuda, porque você depende Dele. É ser como uma criança que no mar se queima com água-viva e corre pra areia porque a mãe vai saber cuidar da ferida. Deus sabe cuidar da ferida.

2 de março de 2016 5 comentários
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